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‘O Agente Secreto’ no Oscar: ouça faixa a faixa da trilha comentada

Entenda como a trilha sonora é um dos segredos da tensão do filme

Cartaz de "O Agente Secreto" com Wagner Moura (Divulgação)

Cartaz de "O Agente Secreto" com Wagner Moura (Divulgação)

Prepare-se para o tapete vermelho! A 98ª edição da cerimônia do Oscar acontece no dia 15 de março de 2026, no Teatro Dolby, em Los Angeles.

Se o cinema brasileiro vive um novo momento, muito se deve à tensão magnética de “O Agente Secreto“. O longa, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, tornou-se o grande fenômeno da temporada, garantindo 4 indicações ao Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e a histórica indicação de Wagner Moura como Melhor Ator.

Enquanto a hora não chega, mergulhamos na trilha sonora que ajudou a construir a atmosfera sufocante e nostálgica do Recife de 1977.

Ouça a trilha sonora comentada de “O Agente Secreto”

A música nos filmes de Kleber Mendonça Filho nunca é apenas um fundo; ela é personagem. No Recife da década de 1970, o rádio era a janela para o mundo e para os sentimentos reprimidos. Confira os detalhes de cada faixa que embala a jornada de Marcelo em “O Agente Secreto”.

“Samba no Arpege” – Waldir Calmon

Esta peça instrumental de piano e ritmo brasileiro abre o filme com uma elegância decadente. Waldir Calmon foi um mestre dos bailes cariocas nas décadas de 1950 e 1960, e sua música aqui serve para estabelecer o contraste entre o passado glorioso e o presente sombrio do protagonista.

“Harpa dos Ares” – Lula Côrtes e Zé Ramalho

Vinda do lendário disco “Paêbirú”, de 1975, esta faixa traz uma psicodelia pura. O álbum original de Lula Côrtes e Zé Ramalho é um dos mais raros e caros do Brasil, e sua sonoridade experimental ajuda a construir a aura mística e a paranoia que envolvem os passos do agente secreto pelas ruas do Recife.

“Eu Não Sou Cachorro Não” – Waldik Soriano

O hino máximo do estilo brega brasileiro, gravado por Waldik Soriano em 1972, tornou-se um símbolo de resistência popular e sofrimento. No longa, a canção humaniza a solidão de Marcelo em meio ao clima de espionagem, conectando o personagem à alma das massas.

“If You Leave Me Now” – Chicago

Esta balada clássica de soft rock, lançada em 1976 pela banda Chicago, reforça o contexto temporal exato da narrativa. É o contraste perfeito entre o pop internacional que dominava as rádios brasileiras na época e a tensão política local, trazendo uma falsa sensação de segurança.

“Retiro (Tema de Amor nº 3)” – Conjunto Concerto Viola

Uma faixa de folk rock instrumental com raízes profundas na musicalidade pernambucana. O Conjunto Concerto Viola é uma joia resgatada pelo diretor, e a música é utilizada em momentos de profunda introspecção, onde o silêncio do protagonista fala mais alto que qualquer diálogo.

“Love To Love You Baby” – Donna Summer

O ápice da Disco Music, produzida por Giorgio Moroder, traz o calor das noites recifenses. Com a voz de Donna Summer, seus gemidos icônicos e batida hipnótica.

“Guerra e Pace, Pollo e Brace” – Ennio Morricone

Extraída da trilha original do filme italiano “Grazie Zia”, de 1968, o uso desta composição de Ennio Morricone é uma homenagem direta de Kleber ao cinema de gênero. As vozes infantis criam um efeito estranho e inquietante que pontua as cenas de maior suspense.

“Cabelo de Fogo” – Maestro Nunes

Este frevo de rua clássico e enérgico injeta o DNA do Recife no filme. Maestro Nunes é uma lenda do Carnaval de Pernambuco, e sua música serve para lembrar que, mesmo em tempos de sombras e segredos, a cidade pulsa uma cultura vibrante e imparável.

“A Briga do Cachorro com a Onça” – Banda de Pífaros de Caruaru

Representando a tradição ancestral do agreste, esta música da Banda de Pífaros de Caruaru com pífanos e percussão é usada para marcar o ritmo. A batida seca e rústica é estrategicamente colocada para pontuar momentos de perseguição e tensão física no longa.

“Não Há Mais Tempo” – Ângela Maria

A voz potente de Ângela Maria, a eterna Sapoti, encerra a experiência com um tom dramático. O título da música funciona como um comentário irônico e melancólico sobre o destino dos personagens, indicando que, em 1977, o tempo estava realmente acabando para muitos.