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‘Nordestina Highway’: Humberto Gessinger ganha tributo em forró

Projeto traz Lucy Alves, Xand Avião e outros colaboradores

Humberto Gessinger

Divulgação

O modem no início de “Eu Que Não Amo Você” faz a conexão entre o Sul e o Nordeste. Composta pelo gaúcho de Porto Alegre Humberto Gessinger para o LP “¡Tchau Radar!”, nono álbum de estúdio do Engenheiros do Hawaii, a canção foi transformada em um xote arretado na voz da paraibana Lucy Alves.

A releitura é o primeiro single do projeto “Nordestina Highway”, disponível a partir de 17 de junho nas plataformas de streaming. O álbum de sete faixas, previsto para sair dia 25 de junho, celebra os 40 anos de carreira de Humberto Gessinger com versões nordestinas entoadas por alguns dos nomes mais expressivos da região.

Além de Lucy Alves, a iniciativa conta com Santanna, o Cantador, Xand Avião, Cezzinha, Del Feliz, Sandra Belê e Beto Brito.

Clássico indissociável do repertório do Engenheiros do Hawaii, a canção de 1987, lançada no disco “A Revolta dos Dândis”, ganhou uma versão personalíssima na voz do cantor cearense, incrementada com versos do repentista João Paraibano (1952-2014).

Entre as duas faixas, há um passeio pelos marcos artísticos do homenageado, dos Engenheiros do Hawaii ao projeto Pouca Vogal, passando pela discografia solo de Humberto Gessinger, sempre com muita paixão, respeito e deferência à obra original.

De sua antiga banda, um dos pilares do rock brasileiro dos anos 1980, “Nordestina Highway” ainda conta com “Refrão de Bolero”, “Revolta dos Dândis I” e “Somos Quem Podemos Ser”, do disco seguinte, Ouça o Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém (1988).

Coube ao potiguar Xand Avião reinterpretar “Refrão de Bolero”, misturando cavaco e sanfona, samba e forró, alquimia que rendeu uma irresistível faixa dançante. “Revolta dos Dândis I” ganhou um assento zeramalheado na voz do cantor, rabequeiro e cordelista piauiense Beto Brito. A voz macia do baiano Del Feliz fez de “Somos Quem Podemos Ser” outro convite para dançar um forró agarradinho no poeirão.

Cantora nascida no Sertão paraibano e com uma carreira artística muito enraizada em suas origens, Sandra Belê transforma “Depois da Curva”, sucesso do Pouca Vogal — projeto que Humberto Gessinger criou com seu amigo de adolescência, Duca Leindecker, em 2008 —, em outro xote porreta, em que as cordas do cavaco de Potyzinho Lucena dançam com o resfolego da sanfona de Cezzinha.

Herdeiro do mestre Dominguinhos, o sanfoneiro pernambucano Cezzinha toca em quase todas as faixas (com exceção de “Somos Quem Podemos Ser”) e canta em uma delas, “Um Dia de Cada Vez”. Dos versos “Todas as cores do arco-íris / O chumbo do céu também / Todas as crenças e mesmo a descrença / A fé dos que não têm”, a música lançada no álbum “Não Vejo a Hora” (2019) teve seu andamento vigoroso desacelerado e a voz serena de Cezzinha a transformou em um pé de serra manhoso.

“Nordestina Highway” teve as bases gravadas no Peixe Boi Estúdio, em João Pessoa (PB), com direção artística e mixagens de Marcelinho Macedo (responsável, entre outros discos, por No Rastro de Catarina, de Cátia de França, indicado ao Grammy Latino) e produção executiva de Fábio Henrique. O disco foi masterizado pelo paulista Felipe Tichauer, que coleciona nada menos que 27 estatuetas obtidas em diversas edições do Grammy Latino.