Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Morre Sly Dunbar, mestre jamaicano da bateria

Lendário produtor e baterista jamaicano formava a dupla Sly and Robbie

Produtor e baterista jamaicano Sly Dunbar (Grosby)

Produtor e baterista jamaicano Sly Dunbar (Grosby)

O lendário produtor e baterista jamaicano Sly Dunbar, que ficou famoso como membro da dupla de produtores Sly and Robbie, faleceu repentinamente em casa na manhã desta segunda-feira (26), aos 73 anos. A informação foi divulgada pelos sites  Observer Online e DanceHallMag.

Rory Baker, produtor e engenheiro de gravação/mixagem da gravadora Taxi Records, de Sly & Robbie, confirmou o falecimento de Dunbar no Instagram, enquanto se dirigia à residência da família.

“Isso é um golpe muito, muito duro para mim pessoalmente… meus três mentores se foram um após o outro, Robbie, depois Cat Coore e agora Sly, todos eles se foram”, disse Baker.

O DJ britânico David Rodigan chamou Dunbar de “um dos maiores bateristas de todos os tempos”, observando que o reggae perdeu um verdadeiro ícone.

“Uma perda tão trágica, pois ele era muito amado”, escreveu Rodigan no Instagram. “Ele produziu e contribuiu para discos de reggae, rock e pop, com artistas como Bob Dylan, Dennis Brown, Bob Marley, Gregory Isaacs, Grace Jones, Madonna, The Rolling Stones, Sting e muitos, muitos outros.”

 A revolução rítmica de Sly Dunbar

Lowell Fillmore Dunbar, mundialmente reverenciado como Sly Dunbar, não é apenas um baterista; é o arquiteto da fundação rítmica que modernizou o reggae e o dub. Nascido em Kingston, Jamaica, em 1952, ganhou o apelido “Sly” devido à sua admiração por Sly Stone, líder da banda Sly and the Family Stone, uma influência funk que ele incorporaria magistralmente à música caribenha.

A assinatura sonora de Dunbar começou a se cristalizar em meados dos anos 1970, quando ele desenvolveu o estilo “Rockers”. Diferente do tradicional “One Drop”, essa batida introduziu uma urgência militante e mecânica, quase eletrônica, antes mesmo da popularização das baterias digitais. Essa inovação é evidente em seu trabalho seminal com Peter Tosh nos álbuns “Legalize It” e “Equal Rights”.

No entanto, a história de Sly é indissociável de seu parceiro musical, o baixista Robbie Shakespeare (falecido em 2021). Juntos, formaram a dupla Sly & Robbie, conhecidos como “The Riddim Twins”. Eles transformaram a seção rítmica em uma unidade de produção prolífica, estimada em dezenas de milhares de gravações. A dupla foi a força motriz por trás do sucesso do grupo Black Uhuru, culminando no álbum “Red” e na vitória do primeiro Grammy de reggae com o disco “Anthem”.

A arquitetura do Black Uhuru

A entrada de Sly Dunbar no Black Uhuru redefiniu a estética do reggae no final dos anos 1970. Ao lado de Robbie Shakespeare, Dunbar transformou o trio vocal em uma potência global, substituindo a suavidade tradicional por uma sonoridade urbana e militante.

No álbum “Sinsemilla” (1980), a bateria de Sly trouxe uma batida seca e cortante, fundamental para a nova identidade do grupo. Essa química atingiu a perfeição crítica em “Red” (1981). Faixas como “Sponji Reggae” e “Youth of Eglington” exibem o domínio de Dunbar sobre o estilo “Rockers”, onde a bateria atua com complexidade melódica e peso industrial.

A inovação culminou no histórico “Anthem” (1984). Neste disco, Sly experimentou com baterias eletrônicas e sintetizadores, fundindo a raiz jamaicana com a new wave. A ousadia garantiu ao Black Uhuru o primeiro Grammy de reggae da história, provando que a visão futurista de Dunbar era o verdadeiro motor da banda.

Sly Dunbar e o dancehall digital

Nos anos 1990, enquanto muitos puristas rejeitavam a tecnologia, Sly Dunbar abraçou a era digital, redefinindo o som da Jamaica com o Dancehall. Por meio do selo “Taxi”, a dupla Sly & Robbie começou a substituir a bateria acústica orgânica por drum machines e sintetizadores, criando batidas esparsas que dominariam as pistas globais.

O marco definitivo dessa fase foi o lançamento de “Murder She Wrote” (1992), de Chaka Demus & Pliers. Construída sobre uma reinterpretação digital do clássico riddim “Bam Bam”, a batida programada por Sly era minimalista e viciante. A faixa não apenas se tornou um hino internacional, mas estabeleceu o padrão para o Ragga, provando que a genialidade rítmica de Dunbar transcendia o instrumento físico e se adaptava perfeitamente à era dos samples e da programação.