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MC Dricka debocha de Maroon 5, chama pra fumar um e mostra que é ‘Rainha do Fluxo’

MC fez putaria em festival 'careta', revelando 'mandrakes' no meio da platéia

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MC Dricka no palco Factory do The Town (Taiz Dering/Billboard Brasil)

Voz maioral do funk e desejada por DJs e produtores de todos os tipos de funk do Brasil, MC Dricka atira mesmo em todas as direções. E acerta. Nesse sábado (07), a MC da Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo, sustentou ser a “Rainha dos Fluxos” e ícone “sapatão” no segundo fim de semana do The Town. “Eu represento todas as mulheres LGBT negras e empoderadas. E não só: mas a galera dos fluxos, das periferias, da putaria”, disse à Billboard Brasil, minutos antes do show. Quem era do fluxo deu um jeito, e mesmo trabalhando, compareceu ao show.

Durante o baile, Dricka tirou onda em cima da banda Maroon 5, dos gringos do “outro palco”, dos homens mentirosos e de alguns na plateia que insistiam em ficar parado. Ainda: convocou o público para puxar um baseado (“Alguém aqui gosta de usar droga? Tem maconheiro aqui presente?”) e, de quebra, comandou um vuco-vuco de putaria (um dos subgêneros mais populares do funk) no palco Factory em dia de rock e camisas pretas. Se vale dizer, ela sustentava uma calça de cintura baixa, item que divide opiniões e que pode ser encarado como mais demonstração do poder da MC.

Antes do baile, no camarim, no intervalo do quarto para o quinto beck (um blend “ice com tabaquinho. Eu fumo só ice, mas hoje tá com tabaco”) e na mão um copão (“tem uísque, energético e gelo. Gelo normal. O de ‘coquinho’ não deu pra vir, imagina o iFood vindo entregar?”) , a MC explicou a diferença da MC Dricka, a artista ícone sapatona, para a Fernanda Andrielli Nascimento dos Santos: “Eu sou quietinha, você acredita? Né, mor?”, disse enquanto olhava para a namorada Larissa. “Eu sou igual ao Catra, nóis fala em f… mas faz amor. Gosto de trabalhar bem bonitinha nas minhas músicas e deixar a imagem da minha personagem característica pras mulheres empoderadas”, explica.

Rubens Rodrigues, de 24 anos, mora na Vila Joaniza e foi ao autódromo para trabalhar em um stand do festival. O tempo de descanso serviu para conferir o show. O boné, o bigodinho fino, o bombojaco e, principalmente, os dedinhos pro alto entregavam que ele era um ‘mandrake’. “A Dricka é uma menina batalhadora. Acompanho ‘de umas cota’, desde a ‘palminha na mão”, conta remetendo às rodinhas feitas por MCs (na qual um canta e o resto faz a batida do funk com as mãos) que Dricka participava antes de estrelar clipes milionários de views.

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Rubens aproveitou a pausa no trampo para conferir o show de MC Dricka (Foto: Yuri de Castro)

“Aí Maroon 5: 4 com 4 dá 8; menos 3, sobra 5: mama eu e os amigo!”

Enquanto desfilava clássicos do funk putaria como “De 38 Carregado” e “Empurra Que Eu Sou Puta”, a cantora de voz rouca característica promovia um espetáculo corajoso considerando os poucos iniciados no estilo presentes no local. Por duas vezes, mandou papo reto para a parte morosa da platéia. “Vocês pagaram caro pra ficar aqui olhando pra minha cara? Era melhor ter assistido no Multishow”. Em outra, praguejou: “Quem ficar parado é porque gosta do Bolsonaro”. Logo em seguida, viu seus súditos puxarem um coro (o primeiro de todo o festival) de “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c…”.

“Gostaram do meu look Beyoncé? Eu odeio parecer hétero”, disse a MC, no camarim, enquanto a reportagem se aproximava. Durante o show, a cantora repetiu a pergunta e acrescentou “Eu tô parecendo passiva? Mais ou menos, né? Tô parecendo que como e dou”, o que levou entendidos da plateia aos risos.

O final do show reservou ótimos momentos de interação. À equipe, pediu um trago: (“me dá um cigarro aí, porra! Sabe aquelas tiazinha zica com voz rouca de cigarro? Vai ser eu no futuro”, ela já havia fumado um beck). À banda Maroon 5, disparou um clássico do MC Magrinho (“Minhas amigas estavam falando dessa banda. Eles são cinco? Aí, Maroon 5: ‘quatro com quatro dá oito; menos três, sobra cinco: mama eu e os amigo!'”). Também provocou os homens mentirosos, cantou os versos “não olha pro lado quem tá passando é o bonde” de “Fala Mal De Mim”, primeiro hit de Ludmilla e relembrou MC Daleste (com os versos “chega em casa, na cara-de-pau, e diz que é conjutivite”, de “Nunca Vendeu Maconha”) ao, novamente, convidar a galera a ficar “japonesinho” (com os olhos puxadinhos, devido ao efeito relaxante da planta).

Apesar de pedir à platéia para fazer (com as mãos) “a buceta para provar que eu sou sapatão”, a MC cantou a palavra “piroca” 12 vezes mais que vocábulo referente à genitália feminina, provando que são várias as ‘Drickas’ que ela incorpora no palco, inclusive a que gosta (e muito) do clube dos novinhos gostosos — se não na vida cotidiana, pelo menos nos hinos que entoa.