Começar a carreira aos 13 anos, emplacar o primeiro hit aos 17 e se consolidar como astro mundial aos 20 parece impossível. Mas é só o começo do currículo de Martin Garrix.
O DJ e produtor holandês, hoje aos 29, já foi eleito por cinco vezes o melhor DJ do mundo em votação popular na revista DJ Mag, tem quase 20 milhões de ouvintes mensais no Spotify e faixas que já passaram de 1 bilhão de reproduções na mesma plataforma, além de frequentemente ser headliner de grandes festivais, como Tomorrowland, Ultra Music Festival e Lollapalooza.
Em aguardada turnê pelo Brasil, com sete datas em sete cidades, Martin Garrix tocou neste fim de dezembro em Nova Lima (MG), Guarujá (SP), Maracaípe (PE) e Rio de Janeiro (RJ). Ele ainda se apresenta em Guarapari (ES) e Florianópolis (SC) no fim de semana.
O artista recebeu a Billboard Brasil para uma entrevista nesta quarta-feira (31), durante sua passagem em Valinhos (SP) para o Réveillon do Laroc Club, eleito oitavo melhor club do mundo também pela DJ Mag.
Prestes à subir ao palco após depoimentos de estrelas da música, como Anitta e Alok, e de ídolos do esporte, como Neymar Jr., Rodrygo Goes e Gabriel Bortoleto, numa contagem regressiva para 2026, Martin Garrix revelou em exclusiva o que o motivou a estar no Brasil neste período.
“Eu amo a energia aqui, amo as pessoas, amo o Ano Novo. Tivemos a oportunidade de estar aqui durante o Réveillon e estou muito feliz por ter feito isso, porque todos os shows até agora foram incríveis e estou muito animado para o dia de hoje.”
Ele completou:
“Essa turnê tem sido muito divertida. A energia e todos os shows que fizemos… Já chegamos à metade, mas tem sido tão mágico. Todos os dias, nova cidade, nova energia, novas pessoas. Também algumas das mesmas pessoas vão para várias cidades. Tem sido realmente mágico”.
O astro holandês tem aproveitado sua passagem no país para visitar pontos turísticos, como o Cristo Redentor, e, principalmente, estreitar sua relação com o público.
Com bandeiras e camisetas do Brasil – com direito à estampa “Martinho”, apelido dado pelos fãs brasileiros -, ele segue com o braço lotado de pulseiras que ganhou do público e frequentemente aparece dando autógrafos e tirando fotos nos aeroportos e nos hotéis, atendendo à todos.
“A interação com os fãs aqui é tão especial. É claro, não estou com a minha família no Ano Novo. Mas é interessante porque eu me sinto em casa mesmo longe de casa, graças à todos os fãs daqui. Nos hotéis, nos shows, nos aeroportos, todo mundo é tão receptivo. É muito especial.”
Ao mostrar sua real animação com a turnê e a repercussão das datas, Garrix considerou que essas apresentações são memórias para a vida. Ele também declarou para a Billboard Brasil: “Olha, agora já sou brasileiro”, e posou para uma foto com um RG que ganhou de um fã.

No clima de Réveillon, o astro revelou seus planos para 2026 e respondeu se quer voltar ao país:
“Definitivamente tenho planos de voltar para o Brasil em breve e, em geral, meu plano para 2026 é ter um álbum completo, no qual estou trabalhado por muito tempo, além de muita música. Tem muitas coisas legais vindo. Então estou muito animado para esse ano”.
Como foi o show de Martin Garrix na virada do ano?
“Feliz Ano Novo” estampava o telão de LED quando Martin Garrix apareceu no palco e deu play em “High on Life”, um de seus hits. A faixa foi trilha sonora para abraços apertados e pulos que tremiam o chão do club enquanto fogos de artifícios eram lançados aos céus e balões brancos que desciam do teto.
Com a frase “High on life ‘til the day we die” (em tradução: no alto da vida até morrermos), a faixa caiu superbem para o início de um ano para quem deseja aproveitá-lo ao máximo.
O público que viajou entre as cidades e assistiu à mais de uma apresentação nesta turnê garantiu que cada uma delas tem sido diferente. Ao contrário de um show, que tem um setlist previamente montado, a apresentação de um DJ permite maior liberdade na escolha das faixas de acordo com a energia do público.
Martin Garrix mostrou o motivo de estar entre os maiores nomes da música eletrônica global e fez uma performance energética e consistente no Laroc Club, deixando o público animado durante as duas horas de seu set – e os 20 minutos a mais que ele resolveu estender no palco.
Pulos constantes e coro de vozes cantando a plenos pulmões já eram esperados e fizeram parte da apresentação, na qual o artista desfilou hits autorais, como “Animals”, que o revelou para o mundo; “In the Name of Love”, sua parceria com Bebe Rexha; “Scared to be Lonely”, sucesso em colaboração com Dua Lipa; “Forbidden Voices”; “Tremor”; “Turn up the Speakers”; “Like I Do”, feita com David Guetta e Brooks; “Gravity”; “Summer Days”; e muito mais.
Entre hinos que marcaram o EDM e faixas que extrapolaram a cena eletrônica, ganhando o mundo pop, Martin Garrix não deixou de tocar uma das mais pedidas: “Carry You”, sua collab com Third Party.
Deu tempo até de um funk num mashup inesperado, mas incrível: ele juntou “Posso Até Não te Dar Flores”, de DJ Japa NK, MC Meno K, MC Ryan SP, MC Jacaré e DJ DAVI DOGDOG – atual top 1 do Billboard Brasil Hot 100 – com “Lions in the Wild”, clássico de sua discografia.
O público vibrou e declarou viver um sonho, como o caso de Douglas Anizio Azevedo, 28, que veio de Sidrolândia, cidade do Mato Grosso do Sul, para seu primeiro show de Martin Garrix e estreia numa festa de música eletrônica.
Ele é daqueles fãs que sabem tudo sobre o ídolo e decifram as tracks em poucos segundos, mas por não ter condições financeiras para vir à São Paulo, achou que não viveria este momento histórico do artista no país. Mas graças a um grupo de amigos que viu seu amor pelo DJ holandês, ele pôde viajar mais de mil quilômetros para realizar seu maior desejo.
Em uma vaquinha organizada pelo grupo de 18 pessoas, chamado “Projeto Doug na Laroc”, o sul-mato-grossense ganhou ingresso e hospedagem para um dos momentos que ficarão eternizados em sua memória.
“Eu não estou acreditando ainda que estou vivendo isso. É muito mais que a realização de um sonho. Sou muito grato por essa oportunidade. Nunca vou me esquecer de tudo o que aconteceu, vai ficar no meu coração pra sempre. Vir pra São Paulo, viver uma festa de música eletrônica nessa superestrutura e ainda ser com meu DJ favorito, não tenho como descrever o sentimento”, declarou.
“Antes dessa apresentação maravilhosa, fomos ao hotel dele em Campinas (SP). Ele nos recebeu todo simpático. Ele é uma pessoa muito boa. Tiramos fotos, ele autografou minha camiseta. Fiquei muito emocionado, entrei no carro e não conseguia parar de chorar”, lembrou.

Os ingressos para a apresentação de Martin Garrix foram esgotados.








