No Marco Zero, as divas do samba e do pop mostram ‘um pouquinho de Brasil iáiá
Fabiana Cozza, Vanessa da Mata, Iza e Raphaela Santos agitaram o Marco Zero

A cantora Iza, em apresentação no Marco Zero, no Recife (Kleyvson Santos/Divulgação)
Há muitos pontos a se destacar nas apresentações de sexta-feira, dia 13 de fevereiro, no Marco Zero do Recife. Por exemplo, o maestro Spok, que abriu os trabalhos da noite. Ou Chico César, convidado do líder da banda de frevo que leva o seu nome, encantando o público com “Mama África” e “Mand’ela”, sucessos do clássico “Cuscuz Clã”, de 1996.
Mas, acima de tudo, pela lição de brasilidade dada por divas da noite: a paulistana Fabiana Cozza, a mato-grossense Vanessa da Mata, a carioca Iza e a também paulistana (mas pernambucana de coração) Raphaela Santos. Cada uma deu sua aula particular da riqueza musical do país. Ou, como bem apontam os versos de “Isso Aqui, O que é”, do compositor Ary Barroso (1903/1964): “É um pouquinho de Brasil, iá iá/ Deste Brasil que canta e é feliz…”
Começamos com Fabiana, sambista de alta patente, que se apresentou ao lado da Spok Frevo Orquestra. Uma das principais intérpretes de sua geração, ela fez rendições pessoais de “Anunciação”, de Alceu Valença, e “Jack Soul Brasileiro”, de Lenine.

Em seguida, Vanessa da Mata fez uma performance irretocável, onde foi desde o maracatu e o samba-rock de Jorge Ben Jor (“Mas que Nada”), ao popular romântico de Odair José (“Cadê Você”) e releituras de pedradas do reggae como “Rivers of Babylon”, dos Melodians, e “Bam Bam”, de Toots Hibbert.
E, claro, canções da própria lavra – uma surra de hits que vai desde “Amado”, parceria dela com Marcelo Jeneci, “Ai Ai Ai”, de Vanessa e Liminha, “Boa Sorte”, pop bilíngue criado com o americano Ben Harper, e a balada “Ainda Bem”.

Iza entrou em seguida e mostrou um pop carioca suingue sangue bom, aliado a reggaes. Estilos internacionais?
Nada disso, gêneros que foram assimilados pelos brasileiros, processados e hoje fazem parte do pop nacional –e poucos fazem com tanta propriedade quanto Iza. Raphaela Santos e seu bregão dançante fecharam a noite, uma aula dessa “raça/ Que não tem medo de fumaça e não se entrega, não.”

A festa continua hoje no Marco Zero com performances do Bloco do Silva, Liniker, Ludmilla, Anderson Neif e uma homenagem ao brega de Recife.
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