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Marcela Cantuária assina a identidade visual do Camarote Folia Tropical 2026

O tema deste ano é 'Quem funda o chão, conduz o amanhã'

Marcela Cantuária

A artista carioca Marcela Cantuária (Priscilla Haefeli/Divulgação)

Marcela Cantuária é o nome por trás da identidade visual do Camarote Folia Tropical em 2026, um dos espaços mais tradicionais da Marquês de Sapucaí. Neste ano, o evento acontece entre os dias 13 e 17 de fevereiro, retornando para as Campeãs no dia 21.

Criada no Rio de Janeiro, a artista tem uma relação direta com a cultura dos blocos e das manifestações populares da cidade. Essa vivência serve como ponto de partida para o manifesto “Quem funda o chão, conduz o amanhã”, conceito que orienta todo o projeto visual do espaço.

Sobre a identidade visual do Camarote Folia Tropical

A proposta de Marcela é reconhecer o Carnaval como um território historicamente sustentado por mulheres –em especial negras– que mantiveram o samba vivo nos quintais, terreiros e avenidas. 

“Se o Carnaval é esse lugar de encontro e reinvenção coletiva, eu quis partir de um recorte muito específico: o corpo, a memória e a genealogia feminina que sustentam o samba. A experiência carnavalesca continua no corpo mesmo depois que a festa termina”.

Para a criação da obra, ela se inspirou na força de nomes como Leci Brandão, Teresa Cristina, Clementina de Jesus, Jovelina Pérola Negra, Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione e Dona Zica. “Elas são legados vivos. Vozes que transformaram apagamento em permanência. Das tias às madrinhas, o samba segue passando de corpo em corpo, refazendo o território a cada passo.”

Marcela também revisita episódios centrais da história do Carnaval carioca, como a destruição da Praça Onze, entendida não apenas como perda urbana, mas como apagamento simbólico de mulheres. 

“Quando a Praça Onze é destruída, não se elimina apenas um lugar físico, mas um sistema de relações femininas que sustentava o samba. Ainda assim, esse território persiste nos corpos que caminham, cantam e reinventam o chão.”

Formada pela Escola de Belas Artes da UFRJ, Marcela conecta sua trajetória à própria história do Carnaval, lembrando o papel da instituição na formação de carnavalescos e na consolidação da festa como linguagem visual. No camarote, sua pintura passa a dialogar diretamente com a experiência da Sapucaí, em um espaço localizado em frente ao recuo da bateria.

Além do projeto artístico, a artista ressalta o alinhamento do Folia Tropical com temas como acessibilidade e inclusão, pilares que também atravessam sua produção: “Acho muito bonito como o camarote se posiciona de forma sensível, pensando na acessibilidade e nas pessoas com deficiência. Isso faz dele um lugar muito querido para mim.”