Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Livro resgata documentos e detalha a censura sofrida pelos Doces Bárbaros

Saiba mais sobre o material escrito por Luiz Abrahão

Doces Bárbaros (reprodução Spotify)

Doces Bárbaros (reprodução Spotify)

Doces Bárbaros, o quarteto formado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia ganha um registro histórico detalhado com o lançamento de uma obra literária inédita. Batizado de “Mistério Sempre Há de Pintar Por Aí – Uma História dos Doces Bárbaros”, o livro reconstrói a caminhada do grupo pós-tropicalista desde suas origens na Bahia até as apresentações que marcaram o país.

Escrito pelo pesquisador Luiz Abrahão, o material resgata arquivos que mostram o impacto cultural e político do conjunto criado em 1976. A publicação chega ao mercado exatamente no momento em que o projeto coletivo completa cinco décadas de sua estreia nos palcos do Anhembi, em São Paulo.

O livro foca na contextualização das trajetórias individuais e coletivas dos quatro artistas. O autor utilizou um longo processo de apuração para levantar registros policiais e informativos da época que ajudam a entender como o mercado musical funcionava em um período de forte repressão no Brasil.

O conteúdo do livro começa mapeando o início da relação profissional e de amizade entre os integrantes, ainda no ano de 1964, na cidade de Salvador. A narrativa mostra como a imprensa e o público já enxergavam os jovens como um movimento unificado antes mesmo da criação do espetáculo oficial dos anos 1970. A pesquisa joga luz sobre os ensaios, a escolha do repertório e o peso que a união dessas quatro vozes teve para a cultura nacional.

A censura militar exposta nas páginas do livro sobre os Doces Bárbaros

Um dos maiores diferenciais da obra é a revelação de documentos secretos da ditadura militar que nunca haviam sido publicados. O livro sobre os Doces Bárbaros mostra que a perseguição do governo foi muito além da conhecida proibição da faixa “Como são lindos os chineses”, escrita por Péricles Cavalcanti. Outras letras do grupo passaram pelo crivo dos censores federais e precisaram sofrer modificações urgentes para que os shows pudessem continuar rodando o país.

Músicas clássicas do repertório do grupo como “Os mais doces bárbaros”, “Nós, por exemplo”, “O seu amor” e “Um índio” foram classificadas como inadequadas pelo regime. O livro sobre os Doces Bárbaros detalha as linhas que foram cortadas ou alteradas pelos órgãos de fiscalização antes da liberação oficial. Esse levantamento ajuda a dimensionar o tamanho do controle estatal exercido sobre a produção de arte naquela década.

A publicação também reconstrói minuciosamente o momento em que Gilberto Gil foi detido por porte de drogas na cidade de Florianópolis, episódio que provocou a interrupção abrupta da excursão nacional. O autor encontrou papéis oficiais emitidos pelo Ministério da Aeronáutica demonstrando que o ocorrido serviu como uma justificativa perfeita para que as forças armadas colocassem todo o quarteto sob vigilância constante no restante da temporada.

Os bastidores e o legado no livro sobre os Doces Bárbaros

Além dos problemas políticos, o livro sobre os Doces Bárbaros aborda curiosidades sobre os bastidores da criação artística. O leitor vai descobrir a origem exata do nome do grupo, que surgiu como um desabafo de Caetano Veloso após críticas preconceituosas publicadas nas páginas do jornal O Pasquim. O texto utiliza reportagens da imprensa da época e depoimentos históricos para reconstruir a rotina das viagens e o clima entre os músicos.

A realização do filme documental sobre o grupo, dirigido pelo cineasta Jom Tob Azulay, também é investigada nas páginas do projeto. O próprio diretor do filme foi o responsável por escrever o texto de apresentação da obra literária. O livro estende sua linha do tempo para registrar os reencontros posteriores do grupo baiano, como o desfile em homenagem na escola de samba Mangueira, em 1994, e os últimos shows feitos no ano de 2002.

O foco central da publicação é mostrar como o grupo conseguiu se consolidar como um marco de resistência criativa, usando o lirismo para driblar as barreiras sociais da época.

Ouça Doces Barbáros