Il Volo, ou ‘quando a ópera se encontra com o pop e o rock’
Trio italiano faz sua nona incursão por terras brasileiras

O grupo de erudito pop Il Volo (Divulgação)
Quando Luciano Pavarotti (1935-2007), Plácido Domingo e José Carreras se reuniram nas Termas de Caracalla (Roma) sob a batuta de Zubin Mehta, na Copa do Mundo de 1990, eles jamais saberiam que iriam mudar o mercado erudito para sempre. “Os Três Tenores”, um catadão de trechos de ópera e canções folclóricas, vendeu quinze milhões de discos no mundo inteiro e criou uma nova vertente nesse mercado: o erudito pop. Do tenor Andrea Bocelli ao violonista André Rieu, surgiram inúmeros instrumentistas, cantores e grupos vocais que traduzem as obras das salas de concerto para quem nunca frequentou esses recintos.
Il Volo, formado pelos tenores Piero Barone e Ignazio Boschetto e pelo barítono Gianluca Ginoble pertence à essa categoria. Surgido em 2009 durante uma competição musical no festival de San Remo, na Itália, eles têm desenvolvido uma carreira que une o bel canto à música popular. O trio foi unido pela produção e fez uma versão de “O Sole Mio”. “Quando nos conhecemos nesse programa de TV italiano, tínhamos esse tipo de música em comum porque estávamos cantando. Mas a gente simplesmente escutava, não conseguia diferenciar Pavarotti de Bocelli”, dizem os integrantes.
O trio desembarca essa semana no Brasil para apresentações em Curitiba e São Paulo (confira o serviço abaixo). Será nada menos que a nona visita deles ao país. “Quando viemos pela primeira vez, ficamos animados com a resposta do público e decidimos sempre incluir o Brasil em nossas turnês mundiais”, dizem. Há, aliás, até um motivo espiritual para essa adoração. “Os compositores daquele período [Puccini, por exemplo] achavam que a música que faziam os deixava mais próximos de Deus”, afirmam. “É mais do que uma música comercial, é algo muito espiritual, eterno. Porque desperta aquela coisa espiritual que temos dentro de nós e que às vezes escondemos porque estamos distraídos por tantas coisas. É por isso que acho que esse tipo de música é muito poderoso em todo o mundo, mesmo que as pessoas e o público não entendam uma palavra do que dizemos, porque ela desperta algo muito profundo dentro de nós”, dizem.
Mas e o público nacional? “O Brasil é um dos países que mais apreciam o bel canto. E também porque há muitos italianos e pessoas com ascendência italiana. E existe uma grande conexão entre italianos e brasileiros”, respondem. “E você tem o maior artista brasileiro, Roberto Carlos, que veio ao Festival de Sanremo há muitos anos e também se tornou muito popular na Itália. Então, existe essa relação de troca. Somos uma família.”
Uma das qualidades do Il Volo está na diversidade do repertório. Eles têm, por exemplo, um disco dedicado às criações de Ennio Morricone (1928-2020), compositor e maestro que criou algumas das trilhas sonoras mais icônicas da história do cinema. Morricone, ora vejam só, foi esnobado por muitos autores da seara erudita por ser um “criador menor” (há um preconceito contra as trilhas de cinema). “Não aceitaram Morricone porque estavam apegados a dogmas de composição, sabe? Como podemos simplesmente não aceitar um músico como Ennio Morricone só porque ele representa uma evolução da música clássica? As criações dele têm a beleza de algumas obras de Puccini”, dizem, referindo-se ao criador de óperas como “Tosca” e “Turandot”. “Morricone representa a evolução perfeita desse tipo de música e realmente representa a Itália, assim como nós. Não somos apenas cantores de ópera, mas queremos representar a beleza da nossa cultura através das nossas vozes, interpretando obras de Morricone, Puccini e muitos outros clássicos.”
O Il Volo, claro, não é Os Três Tenores. Mesmo porque um dos jovens tem um registro de voz diferente. Mas são imbuídos da mesma missão, ou seja, traduzir a ópera para um público leigo. “Este é o nosso objetivo. Sabemos, e temos plena consciência, que a maioria das pessoas nunca foi a um teatro assistir a uma ópera. Ouvir ópera não é fácil, nem a gente escuta ópera todos os dias”, explicam.
Piero, Ignazio e Gianluca estão juntos desde a adolescência. Como é crescer no showbiz e se aturar por tanto tempo? “A palavra-chave é respeito. Se você respeita as pessoas e respeita seu colega, pode permanecer junto pelo resto da vida. Temos trabalhado não apenas na música e no aspecto artístico, mas também sempre nos dedicamos ao nosso relacionamento”, respondem. “Ser um grupo é como estar casado: permanecemos juntos e vivemos juntos por anos, e passamos a maior parte do nosso tempo juntos. A música tem de ser prioridade.”
O respeito e o amor pela música rendem uma mistura única, que vai desde árias de ópera a releituras de “Who Wants to Live Forever”, do Queen. Il Volo é uma mostra de que a ópera pode ser assimilada por todos.
IL VOLO NO BRASIL
CURITIBA
Datas: 17 março de 2026
Horário: 21h00 Abertura da casa: 2 horas antes do espetáculo
Local: Teatro Positivo Endereço: R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300
Ingressos: https://www.diskingressos.com.br
SÃO PAULO
Datas: 19, 20 e 21 de março de 2026
Horário: 21h30
Abertura da casa: 2 horas antes do espetáculo
Local: Vibra São Paulo Endereço: Av. das Nações Unidas, 17955
Ingressos: www.ticket360.com.br
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