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A história da música brasileira no Oscar

Antes de 'Ainda Estou Aqui', o Brasil chegou ao Oscar pela 1ª vez com uma canção

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Walter Salles durante o Oscar (Reuters)

O Brasil chegou pela primeira vez ao Oscar em 1945, com uma música. Em 2026, o país tem quatro indicações e o título de campeão do ano anterior. Entre esses dois momentos, oito décadas de indicações, quase-vitórias, injustiças históricas e, em 2025, a conquista do primeiro troféu da história com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles.

Ao longo desse percurso, o país acumulou 24 indicações em categorias que vão de Melhor Filme a documentários, canções originais e animações — por vezes por obras inteiramente brasileiras, por vezes por profissionais nascidos no país que fizeram carreira no exterior.

Nem todas as vitórias vieram com o nome do Brasil na etiqueta: “Orfeu Negro” venceu em 1960 pela França, e “Diários de Motocicleta” levou a estatueta de Melhor Canção em 2005 por uma produção multinacional.

Relembre momentos importantes da história da música brasileira no Oscar.

A estreia do Brasil na cerimônia foi com música. Em 1945, a composição “Rio de Janeiro”, do mineiro Ary Barroso (1903-1964), concorreu ao prêmio de Melhor Canção Original pelo filme estadunidense “Brazil”, que contava com Aurora Miranda (irmã de Carmen Miranda) no elenco elenco. A canção perdeu para “Swinging on a Star”, do filme “O Bom Pastor”.

Quinze anos depois, em 1960, o país apareceu novamente na premiação. “Orfeu Negro”, filme dirigido pelo francês Marcel Camus, – rodado no Brasil, falado em português, com elenco majoritariamente brasileiro e roteiro de Vinicius de Moraes —, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional. Mas o longa-metragem concorria como representante da França, devido à co-produção entre o país, Brasil e Itália. Foi, contudo, a primeira produção de língua portuguesa a conquistar a estatueta.

Três anos depois, “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte (1920-2009), tornou-se a primeira indicação oficial do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o primeiro filme sul-americano na categoria. Baseado na peça de Dias Gomes e já consagrado com a Palma de Ouro em Cannes, o longa com Leonardo Villar e Norma Bengell perdeu para o francês “Sempre aos Domingos”, de Serge Bourguignon.

A partir dos anos 1970, o Brasil ampliou sua presença no Oscar por caminhos diversos. Em 1979, a coprodução “Raoni” levou ao mundo a história do líder indígena Raoni Metuktire e sua luta pela preservação do Parque do Xingu.

Em 1982, foi a vez de uma brasileira entrar para a história: a produtora Tetê Vasconcellos tornou-se a primeira mulher do Brasil indicada ao Oscar, pelo documentário estadunidense “El Salvador: Another Vietnam”.

Em 1999, Fernanda Montenegro concorreu na categoria de Melhor Atriz por “Central do Brasil”. Ela foi a primeira atriz latino-americana a concorrer ao prêmio. O filme de Walter Salles também foi indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

A derrota para “A Vida é Bela”, de Roberto Benigni, e a perda de Fernandona para Gwyneth Paltrow por “Shakespeare Apaixonado” ainda hoje é considerada uma das maiores injustiças da história da premiação.

Em 2005, Walter Salles dirigiu “Diários de Motocicleta”, que venceu o Oscar de Melhor Canção Original com “Al Otro Lado del Río” e seria a segunda vitória com conexão brasileira na história da premiação. Em 2011, o documentário “Lixo Extraordinário”, sobre o artista plástico Vik Muniz e os catadores do aterro de Jardim Gramacho, concorreu a Melhor Documentário.

Em 2012, a dupla Sérgio Mendes e Carlinhos Brown disputou o prêmio de Melhor Canção Original com “Real in Rio”, para a animação dirigida pelo carioca Carlos Saldanha.

Oitenta anos após a primeira indicação brasileira, o Brasil finalmente conquistou seu Oscar. “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, baseado na autobiografia de Marcelo Rubens Paiva, narrou a história de Eunice Paiva, advogada que se tornou ativista após o desaparecimento do marido durante a ditadura militar.

Com Selton Mello e Fernanda Torres no papel de Eunice, o filme foi aplaudido por 10 minutos consecutivos em sua estreia no Festival de Veneza, em setembro de 2024.

Tornou-se o primeiro filme falado em português a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme. Fernanda Torres repetiu o feito histórico de sua mãe, Fernanda Montenegro – também em um filme de Walter Salles –, sendo indicada a Melhor Atriz. Venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático, mas a estatueta do Oscar foi para Demi Moore por “A Substância”.

Na categoria de Melhor Filme Internacional, porém, a história foi diferente: o Brasil conquistou seu primeiro Oscar, encerrando uma espera de oito décadas.

O Oscar de 2026, marcado para este domingo (15), traz o Brasil novamente ao centro das atenções. O fotógrafo paulistano Adolpho Veloso concorre a Melhor Fotografia pelo filme “Sonhos de Trem”.

Primeiro brasileiro indicado ao BAFTA e ao American Society of Cinematographers na categoria, Veloso já venceu o Critics Choice, o Spirit Awards (com o troféu entregue pelo próprio Wagner Moura) e as associações de críticos de Los Angeles e San Diego.

Em destaque máximo, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Filme Internacional e a estreante Melhor Direção de Elenco.

O filme venceu em Cannes os prêmios de Melhor Diretor e de Melhor Ator para Wagner Moura, além dos Globos de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Drama.

Wagner Moura em 'O Agente Secreto'
Wagner Moura em ‘O Agente Secreto’ (Divulgação)