
Glória Groove (Divulgação)
Gloria Groove faz show gratuito com orquestra em SP: ‘Meu coração é ZL’
Prestes a completar uma década de carreira, Gloria Groove vive um momento de consagração e reencontro com suas origens. A artista é a grande estrela da sexta edição do Projeto Aquarius, que acontece neste sábado (17) no Parque do Carmo. O evento gratuito promove a união inédita entre o pop contemporâneo e o rigor da música erudita. A cantora falou com exclusividade à Billboard Brasil sobre o show único.
Neste espetáculo, a cantora ocupa o posto de solista à frente da Orquestra Experimental de Repertório, regida pelo maestro Wagner Polistchuk. O palco será compartilhado com MC Tha, reforçando a representatividade de vozes que nasceram e cresceram na periferia paulistana. Juntas, elas narram a formação da Zona Leste por meio de arranjos orquestrais sofisticados.
Para a artista, voltar ao território onde sua história começou carrega um peso emocional que vai além do sucesso profissional.
“A Vila Formosa não sai de mim, não importa o tamanho do palco ou para onde a música me leve”, afirma Gloria.
Segundo ela, estar ali é um “motivo de muita emoção” e um forte “sentimento de conquista e pertencimento”.
O repertório do concerto traz releituras de sucessos como “A Queda” e “Leilão”, agora interpretados por cerca de 100 músicos clássicos. Gloria explica que o processo de adaptação foi desafiador por exigir uma tradução completa das faixas para a linguagem sinfônica. Além disso, ela destaca o poder político de sua presença nesse cenário tradicional.
O Projeto Aquarius propõe democratizar a cultura ao levar música gratuita às praças.

Leia a entrevista com Glória Groove
Gloria, você sempre levou o orgulho da Vila Formosa e da Zona Leste para o mundo. Como é para você, hoje uma das maiores artistas do país, voltar ao Parque do Carmo, um símbolo da região, para um show gratuito?
A Vila Formosa não sai de mim, não importa o tamanho do palco ou para onde a música me leve. É ali que está minha base, minha história e as pessoas que me viram sonhar antes de tudo isso acontecer. Então, é motivo de muita emoção. Tem um sentimento de conquista, mas também de pertencimento. Não é só sobre “voltar maior”, é mostrar que, não importa onde eu esteja, meu coração sempre vai estar na ZL.
Como foi o processo de adaptar a estrutura de hits como “A Queda” e “Leilão” para uma orquestra de 100 músicos?
Foi um processo lindo e desafiador também. Porque quando a gente fala de pegar faixas como “A Queda” e “Leilão” e colocá-las em uma linguagem sinfônica, não é só “aumentar” a música… é traduzir mesmo. O público pode esperar reconhecer as músicas que ama, mas se surpreender com novas emoções.
Ver uma drag queen ocupando o posto de solista à frente da Orquestra Experimental de Repertório em um concerto aberto é um marco. Qual mensagem você acredita que essa imagem passa para os jovens artistas?
Eu acho que essa imagem fala por si só, sabe? Uma drag queen à frente da Orquestra Experimental de Repertório, em um palco aberto, gratuito… isso é muito poderoso. Para quem está vindo agora, eu espero que essa representação transmita esperança. Que mostre que eles também podem sonhar grande, podem ocupar os espaços que desejarem e podem misturar linguagens, sem pedir licença.
Você divide o palco com a MC Tha, outra voz potente da Zona Leste que transita por caminhos ancestrais e urbanos. Como tem sido a troca entre vocês para este concerto e como você enxerga a importância de duas figuras da “Leste” protagonizarem um espetáculo que narra a formação desse território?
Dividir esse palco com a MC Tha vai ser muito especial. Porque existe uma conexão que vai além da música — é território, é vivência, é memória. A gente vem de lugares parecidos, carrega referências que nem sempre foram valorizadas e, hoje, podemos transformar isso em potência no palco.
Você se aproxima da marca de uma década de carreira em 2026, vindo de projetos diversificados como o pagode do “Serenata” e o pop do “Futuro Fluxo”. Onde o Projeto Aquarius se encaixa na sua linha do tempo artística?
Quando eu olho para trás, vejo o quanto eu me permiti experimentar, sempre tentando expandir o que as pessoas esperam de mim e, principalmente, o que eu espero de mim mesma. Receber um convite como esse do Projeto Aquarius, no ano em que celebro uma década de Gloria Groove, chega como um marco na minha carreira. Estar nesse lugar, dialogando com uma orquestra, me coloca em um patamar de muita maturidade — não só vocal, mas de interpretação e presença.
Diferente de festivais ou casas de show, o concerto no parque atrai desde famílias até o público cativo da música clássica e seus fãs fervorosos. Como você está se preparando emocionalmente para essa troca direta?
Esse tipo de público é o que mais mexe comigo, porque é um encontro de mundos. Tem a família que está ali pelo passeio, quem curte música clássica, os meus fãs que acompanham cada detalhe… então, a minha preparação emocional passa muito por isso: estar aberta. E acho que o Projeto Aquarius potencializa isso, porque já é um espaço pensado para esse encontro. Então, eu vou com o coração muito disponível, mas também muito consciente da responsabilidade de conduzir essa experiência.
PROJETO AQUARIUS SÃO PAULO 2026
Data: Domingo, 17 de maio
Horário: 14h
Local: Parque do Carmo – Zona Leste, São Paulo
Maiores informações no site oficial do evento.
*Entrada gratuita. Sujeito à lotação.