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Gilsons afirmam a luz sem negar a sombra em novo disco

Segundo álbum do trio traz parcerias com família Veloso e outras

Gilsons (Marina Zabeni/estudio/divulgação)

Gilsons (Marina Zabeni/estudio/divulgação)

Para os Gilsons, o palco dispensa bateria. “O tambor é o coração”, resume Fran. “É o atabaque ali, o timbal”. É dessa batida orgânica, que remete à tradição e ao afeto, que nasce “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”, o segundo trabalho de estúdio do trio. As faixas incorporam texturas eletrônicas sutis e beats, mas é a batucada quem dita o rumo.

O projeto não ignora os “atravessamentos” recentes; ele os abraça. Se o primeiro disco, “Pra Gente Acordar”, era movido por uma energia solar, o novo repertório traz o que os integrantes chamam de “otimismo um pouco mais denso”. É o reconhecimento de que a sombra existe, usando a música como trilho para atravessá-la. “É um processo já de a gente canalizar. Então, é inevitável que esse canal que a gente tenha criado seja uma luz em meio a tudo”, explica José.

Essa dualidade transborda na poética da obra através da simbologia da flor, presente em duas composições (“Visão” e “Minha Flor”). “A beleza de um buquê maravilhoso que, em uma semana, já não tem a mesma forma, é o ciclo das coisas. É um disco que se apoia muito na força que a gente construiu juntos”, revela Fran.

Se esse momento de carreira fosse traduzido em sentimento, para João, ele seria o reflexo da saudade, mas também da esperança de um mundo mais justo.

Maturidade e novas texturas

Sonoramente, o álbum chega como um exercício de coragem. Há um apreço analógico – pelas fitas e compressões da Tropicália e de nomes como Dorival Caymmi e Tincoãs – misturado ao “caldeirão” contemporâneo de experimentações rítmicas que passeiam entre o axé, o afro-cubano e o reggae.

João Gil conta que essa jornada permitiu explorar novos instrumentos. “O projeto foi se formando a partir dessas intenções. Às vezes é o cello que puxa, às vezes o trompete abre um caminho pro arranjo”.

Essa expansão culminou no encontro com a multi-instrumentista gambiana Sona Jobarteh, cujo toque na Kora encantou o grupo. Para ele, a colaboração simboliza o deságue natural do trio: “Eu acho que existe uma evolução mesmo… essa coisa do tempo mesmo, né? Só o tempo o dá”.

DNA e legado dos Gilsons

A música baiana, além de pulsar na espinha dorsal da banda, se materializa em “Bem Me Quer”, com Narcizinho. “Essa coisa de trazer o Narcizinho – que esteve com a gente em ‘Várias Queixas’ –, a referência do Olodum, tudo isso é um abraço à nossa história”, pontua Fran.

No último show de despedida dos palcos de Gilberto Gil, no sábado (28), o grupo cantou “Avisa Lá”, outro hit do bloco afro, reafirmando a conexão. Na sequência, o relato emocionante de Ben Gil relembrou que a ponte histórica com o Olodum partiu da saudosa Preta Gil.

+ Leia mais – Gilberto Gil dedica último show de ‘Tempo Rei’ a Preta Gil

Parcerias e pé na estrada

O disco, que conta ainda com as participações de Arnaldo Antunes, Julia Mestre e a emblemática união com Caetano, Moreno e Tom Veloso em “Minha Flor”, é descrito por Fran como um espaço de cuidado.

“Tiveram momentos em que a música foi mais sobre acolher do que criar. Estar junto, cuidar um do outro, respeitar os silêncios”, disse Fran.

Agora, o trio se prepara para levar esse “abraço” ao palco com a turnê mundial “Eu Vejo Luz”. São mais de 30 cidades confirmadas, passando por palcos históricos como a Concha Acústica de Salvador e o Vivo Rio, antes de seguir para países como Dinamarca, Alemanha, Austrália e Portugal. José espera repetir o sucesso do primeiro disco, explorando novos interiores e capitais, enquanto João aguarda o reencontro com o público: “Eu fico na expectativa de como vai se dar essa continuidade… de como o show vai soar com esse repertório novo”.

Ao final de dez faixas, o que resta é um retrato de quem escolheu enxergar a luz sem negar a melancolia. Como resume o próprio trio: “Tem músicas que nascem pra curar quem faz e quem escuta. Esse disco veio deste lugar”.

Gilsons (Marina Zabeni/Estudio/Divulgação)
Gilsons (Marina Zabeni/Estudio/Divulgação)

GILSONS – TOUR 2026

Abril

25/04 – Salvador (BA) – Concha Acústica

26/04 – Juazeiro (BA) – Concha João Gilberto

Maio

01/05 – Rio de Janeiro (RJ) – Vivo Rio

09/05 – São Paulo (SP) – Espaço Unimed

10/05 – Campinas (SP) – Casa Multi

16/05 – Florianópolis (SC) – Festival Arvo

22/05 – Joinville (SC) – Luna Live

23/05 – Curitiba (PR) – Festival Coolritiba

29/05 – Natal (RN) -Teatro Riachuelo

30/05 – Maceió (AL) – Space Shopping

31/05 – Recife (PE) – Teatro Guararapes

Junho

04/06 – Brasília (DF) – Teatro Ulisses Guimarães

05/06 – Maracanaú (CE) – São João de Maracanaú

20/06 – Porto Alegre (RS) – Teatro Araújo Vianna

25/06 – Santiago (CL) – Teatro Coliseo

27/06 – Montevideo (UY) – Sala del Museo

28/06 – Buenos Aires (AR) – C Art Media

Julho

11/07 – Copenhagen/ Denmark – local a confirmar 

13/07 – Karlsruhe/ Germany – local a confirmar 

17/07 – Cartagena/ Espanha – local a confirmar

21/07 – Madrid/ Espanha – local a confirmar

25/07 – Koblenz/ Germany – local a confirmar 

27/07 – Munich/Germany – local a confirmar 

29/07 – Sete/ França – local a confirmar 

Agosto

07/08 – Juiz de Fora (MG) – Cine Theatro Central

08/08 – Belo Horizonte (MG) – Festival Sensacional

Outubro

01/10 – Auckland/ Nova Zelândia – Galatos

03/10 – Sydney/ Austrália – Round house

04/10 – Gold Coast/ Austrália – Miami Marketta

06/10 – Brisbane/ Austrália – Crown bar

07/10 – Melbourne/ Austrália – Max Watts

09/10 – Perth/ Austrália – Rosemount Hotel

17/10 – Lisboa/ Portugal – Coliseu dos Recreios

18/10 – Porto/ Portugal – Coliseu Porto Ageas

Ouça “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”, de Gilsons