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Festejos de Iemanjá em 2026: Rio e Salvador celebraram a Rainha do Mar

Festa de Iemanjá na Bahia (Pinterest)

Festa de Iemanjá na Bahia (Pinterest)

Já me apresentei cinco vezes no palco principal do Réveillon de Copacabana, e em todas elas fiz questão de saudar Iemanjá antes da contagem regressiva. Escrevo deste lugar — de artista, curador e cronista que transita entre palcos, terreiros, festivais e instituições públicas — com a convicção de que o maior Réveillon do mundo nasceu de um gesto ancestral: flores lançadas ao mar.

No Rio de Janeiro, o encontro de terreiros de Umbanda e Candomblé nas areias de Copacabana, no fim do ano, há 75 anos, germinou a virada que hoje mobiliza milhões. Em Salvador, no Rio Vermelho, o 2 de fevereiro é uma virada própria. Em ambos os casos, o refrão se repete: o ano só começa depois do presente.

Cultura popular como estratégia de país

Para Marcelo Freixo, à frente da Embratur, os festejos de Iemanjá ajudam a explicar o momento do turismo brasileiro:

“A cultura popular é a verdadeira arquiteta do turismo brasileiro. O Réveillon nasceu do gesto simples de colocar flores no mar para Iemanjá.”

Freixo associa diretamente o crescimento do afroturismo à busca global por autenticidade, reposicionando festas como a de Iemanjá como ativos de soft power e economia criativa — onde música, território e experiência caminham juntos.

Rio afro-atlântico: rito, cidade e política cultural

No Rio, essa herança se manifesta em múltiplas frentes. O cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi celebrou 50 anos de presente à Rainha do Mar. Seu presidente, Célio Oliveira, resume:

“Para o Filhos de Gandhi, o ano só começa depois do cortejo à Iemanjá. São 50 anos de fé, oração e devoção espiritual.”

Do ponto de vista institucional, Lucas Padilha, Secretário de Cultura do Rio, reforça o caráter estruturante da data:

“O Rio é uma cidade afro-atlântica. Apoiar as festas de Iemanjá é garantir que manifestações de matriz africana aconteçam com respeito, segurança e valorização cultural.”

Nesse eixo, Eulícia Esteves, da Funarte, destaca o papel da música como elo do rito:

“Temos aí uma grande riqueza musical, uma riqueza produzida pelos povos de terreiro.”