Entre Djavan e o futuro: como Jotapê, Bruna Black e Melly levam MPB ao SXSW
A convite da Billboard Brasil, trio levou ao palco em Austin o repertório do EP

SXSW com Jota.pê, Bruna Black e Melly (@zest.ag)
Djavan foi o ponto de partida, mas o show de Jotapê, Bruna Black e Melly no SXSW 2026 revelou algo maior: como a nova geração da música brasileira revisita um mestre sem soar reverente demais, engessada demais ou distante de si mesma.
Na SP House, a convite da Billboard Brasil, os três artistas transformaram o EP “Canto Djavan” em uma performance ao vivo marcada por emoção, identidade e troca real no palco.
O repertório inspirado no cantor alagoano, que este ano completa 50 anos de carreira, ganhou outra dimensão diante de um público apaixonado. O que era um projeto fonográfico virou encontro — entre artistas, trajetórias e referências. “A gente acabou trocando muito mais”, contou Melly, ao lembrar que ainda não tinha convivido tanto com Bruna Black antes do projeto.
No centro dessa construção está Djavan: não só como homenageado, mas como força formadora. Para Jotapê, a influência é direta: foi ouvindo o artista ainda criança, no carro do pai, que nasceu o desejo de tocar. “Se ele não existisse, talvez eu não fosse músico”, afirmou o cantor, hoje um dos nomes mais fortes da nova geração e vencedor de três Latin Grammys.
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Bruna Black amplia esse olhar ao trazer uma dimensão simbólica para a obra do cantor. Para ela, Djavan representa algo que ainda é pouco retratado: o homem preto falando de amor com centralidade, sensibilidade e complexidade. “Ele se coloca como epicentro desse amor, contradizendo muitas imagens que a sociedade constrói”, disse a cantora paulista.
Vencedora na categoria artista revelação do Prêmio Multishow em 2023, e de melhor compositora no WME Awards em 2024, Melly, por sua vez, Melly descreve uma relação construída com o tempo, mas marcada por um momento específico. Também em uma viagem de carro com o pai, ouvindo a discografia de Djavan de Salvador a Natal, encontrou uma conexão definitiva com a poesia do artista. “Foi ali que começou esse amor.”
Entre identidade e releitura
Se no EP o desafio era reinterpretar Djavan respeitando a essência da obra, no palco a missão se expandiu: transformar essa releitura em experiência ao vivo. E isso começou ainda no estúdio. Com um cronograma enxuto, os arranjos ficaram concentrados na equipe técnica, que mergulhou nas referências de cada artista para aproximar as músicas de suas identidades. O trabalho foi menos focado na intervenção direta dos cantores e mais na sensibilidade, entendendo como cada voz poderia habitar aquele repertório.
Ainda assim, houve espaço para ajustes. Bruna, que também atua como produtora do projeto, sugeriu mudanças pontuais e trouxe elementos como o ijexá para dentro das faixas em que participou. O resultado final foi um equilíbrio raro: preservar a força de Djavan sem apagar a assinatura dos intérpretes.
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Estrear esse trabalho nos palcos do SXSW adiciona uma camada simbólica importante. Para os três artistas, o festival funciona como um espelho da escala que suas carreiras começam a atingir. “É assustador ver a quantidade de talento do mundo inteiro reunida num lugar só”, diz Melly, que destaca também a evolução pessoal em relação à edição anterior – agora com mais segurança no palco internacional.
Jotapê reforça o impacto do momento ao comparar com o início da trajetória: de apresentações em bares pequenos a um festival global, cantando Djavan em outro país. “Muita coisa passa pela cabeça.”
Para Bruna, a experiência carrega ainda um peso de responsabilidade. “Cantar Djavan aqui é representar parte da história do Brasil.” Ao mesmo tempo, há um reconhecimento do que essa jornada significa: “A música está me levando pelo mundo, eu nunca imaginei isso.”
Tecnologia, futuro e o que não muda
Em um festival conhecido por antecipar tendências, a discussão sobre tecnologia e inteligência artificial também entrou em pauta. A visão dos três sobre isso é pragmática e, ao mesmo tempo, firme. Os cantores não enxergam a tecnologia como ameaça, mas como ferramenta. “A gente não deve ter medo”, afirma Melly. Ao mesmo tempo, há um limite claro: o que acontece no palco, na troca humana, ainda é insubstituível.
Bruna alerta para o risco de atalhos criativos em um cenário cada vez mais automatizado. Já Jotapê traz uma perspectiva histórica: a indústria sempre passou por rupturas – da pirataria ao streaming – e sobreviveu. “A mudança é constante, mas a gente se adapta.”
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