Dorgival Dantas abre as portas de casa para gravar projeto ‘Raízes’
Na Fazenda Tome Xote, o sanfoneiro mistura gerações e resgata suas memórias
Dorgival Dantas chegou à gravação de chinelos, calça jeans, camisa listrada e sorriso largo. Mesmo com o cronograma apertado, o autor de sucessos como “Você Não Vale Nada” e “Coração” fez questão de parar tudo e mostrar a Fazenda Tome Xote para a Billboard Brasil. O sanfoneiro reuniu amigos como João Gomes, Tarcísio do Acordeon, Waldonys, Taty Girl, Limão com Mel, Joyce Alane, entre outros, na sua propriedade em Olho D’Água do Borges (RN) para registrar o projeto audiovisual “Raízes”. O vídeo chegou ao Youtube e o áudio às plataformas digitais neste mês de junho.
Dentro do jipe, sacolejando pela fazenda, Dorgival dividiu algumas lembranças: falou do início de carreira difícil em Natal e de como o teclado que herdou do pai abriu caminho para estúdio, produção e, por fim, para a carreira como sanfoneiro de sucesso. No trajeto, o músico mostrou a barragem onde gosta de mergulhar ao entardecer, apontou animais no açude e descreveu a futura pista de pouso que já projeta na cabeça.
A entrevista aconteceu na cidade cenográfica que Dorgival ergueu dentro da fazenda: a Cidade do Forró, espaço com capacidade para 5 mil pessoas que todos os anos recebe a abertura dos festejos de São João. Na conversa, o artista detalhou o projeto “Raízes” e revelou que não se importa em ver suas músicas fazerem sucesso na voz de outros artistas.
Veja abaixo entrevista com o sanfoneiro:
Billboard Brasil: Dorgival, você já gravou DVDs em Fortaleza e Salvador. Por que decidiu que o terceiro, “Raízes”, tinha de nascer aqui, na Fazenda Tome Xote?
Dorgival Dantas: Eu sempre sonhei em registrar minha história na terra onde tudo começou. Quando construí minha casa, pensei: “Isso aqui dá um forró arretado!”. A equipe topou, e abriu-se a porta do meu lar pra todo mundo sentir esse acolhimento. “Raízes” é simplicidade, sertão e, principalmente, felicidade — porque quando tô aqui, tô inteiro.
Billboard Brasil: O elenco mistura veteranos, como Waldonys, e a turma nova, como João Gomes e Joyce Alane. Como montou essa lista?
Dorgival: Primeiro vem o carinho. A gente se cruza na estrada, vê agenda, e quando um chama o outro, o “sim” chega rapidinho. É divisão pra somar: quem tem mais tempo de caminhada e quem tá começando agora se encontram num “novo tempo” do forró.
Billboard Brasil: Você defende os compositores desde sempre. O autor hoje é mais valorizado? E o que sente quando seus hits estouram na voz de outros, como foi com Calcinha Preta (“Você Não Vale Nada”) e Rapazolla (“Coração”)?
Dorgival: Nunca pedi “preciso fazer sucesso cantando”. Gosto é de ver minha música voando com quem for. Ser o “número dois” me deixa livre pra tomar caldo de cana na praça, sabe? Hoje, compor está mais fácil — tem mil mídias, gente compondo em grupo. Ao mesmo tempo, achar palavras novas ficou mais difícil. Mas ver o povo cantando “Você Não Vale Nada” ou “Pode Chorar” paga qualquer esforço: é lágrima que vira sorriso.








