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Diretor e designer revelam bastidores do show de Bad Bunny: ‘Criou um mundo’

Cantor porto-riquenho cantou para 90 mil pessoas em São Paulo recentemente

Bad Bunny

Bad Bunny (Clayton Felizardo/Brazil News)

O Bad Bunny passou pelo Brasil com dois shows históricos e deixou saudade. O cantor porto-riquenho, que começou na música há mais de 10 anos, vive o auge da carreira. Ele venceu o Grammy, se apresentou no Super Bowl com um show cheio de referências e reforçou a paixão do público brasileiro pela música latina para 90 mil pessoas em São Paulo.

No show do intervalo do Super Bowl, maior evento esportivo dos Estados Unidos, o artista transformou o palco em um campo vivo inspirado nas paisagens rurais de Porto Rico.

Sob direção criativa de Harriet Cuddeford e design do Yellow Studio, liderado por Julio Himede, o estádio trouxe referências visuais a plantações de banana-da-terra, cana-de-açúcar e à vida cotidiana porto-riquenha. No centro do cenário estava a icônica “casita”, casa tradicional porto-riquenha que se tornou símbolo dos shows de Benito.

+ Veja mais: A capa simples que virou símbolo do pop latino com Bad Bunny

Conversamos com o diretor e o designer sobre os bastidores da apresentação de Bad Bunny. Para Julio Himede, diretor e head designer do Yellow Studio, o maior desafio foi condensar uma paisagem cultural inteira em poucos minutos.

“Quando você pensa nisso como um palco, está projetando algo para ser visto. Quando pensa nisso como um mundo, está projetando algo que precisa parecer habitado. Na prática, isso muda tudo. O espaço precisa funcionar. As pessoas precisam se mover por ele naturalmente. A câmera precisa descobrir momentos em vez de apenas enquadrar um ponto focal. Deixa de ser sobre construir um cenário e passa a ser sobre construir um ambiente que apoie a narrativa. Cada elemento precisa parecer que pertence àquele lugar”, explica Julio para a Billboard Brasil.

“Comprimir toda uma paisagem cultural em um período de apresentação muito curto. Cada metro quadrado exigia intenção, mas não podia parecer forçado. Ainda precisava parecer natural e íntimo, mesmo sendo transmitido globalmente. Equilibrar essa escala com esse nível de autenticidade foi provavelmente o maior desafio.”

Bad Bunny no Super Bowl 2026
Bad Bunny no Super Bowl 2026 (Grosby Group)

Bad Bunny esteve envolvido desde o início do processo criativo.

“Ele se envolveu muito. Desde as primeiras conversas, ele deixou claro o que queria e quais memórias e referências lhe pareciam autênticas. Isso nos deu uma forte direção emocional e um briefing claro. Foi uma verdadeira colaboração”, acrescenta Harriet.

Cultura, cotidiano e representatividade

Mais de 80% do elenco era latino e com pessoas reais – o show contou com um vendedor de piragua de Porto Rico, um cozinheiro de taco de Los Angeles, um padre, uma manicure e um barbeiro.

“Quando você traz pessoas reais para o ambiente, o design precisa respeitar a maneira como elas se movem e trabalham. Não pode parecer teatral demais. O ritmo também muda. Você não está apenas coreografando dançarinos, você está incorporando o cotidiano à performance e garantindo que esses momentos sejam capturados honestamente pela câmera. Esse contraste deu textura ao programa e o tornou mais humano”, diz Julio.

Bad Bunny no Super Bowl com Lady Gaga
Bad Bunny no Super Bowl com Lady Gaga (Grosby Group)

A apresentação culminou em um desfile de bandeiras, momento que, para Julio, sintetiza o espírito do show.

“Depois de toda a intimidade e dos momentos cotidianos no campo, aquela imagem final une tudo. Torna-se algo coletivo. Você vê orgulho, união e celebração, tudo ao mesmo tempo. Foi como a libertação emocional da série, um lembrete de que todas aquelas cenas individuais faziam parte de algo maior.”

Política? Presente

Em um evento global como o Super Bowl, havia limites naturais para discursos explícitos. Ainda assim, as mensagens estavam ali, em muitas camadas e símbolos – como os postes de luz, uma crítica aos apagões que Porto Rico enfrenta, e as cores da bandeira do país.

“Não era necessário discutir isso [de políitica], pois tínhamos muita clareza sobre a intenção da apresentação. Não se tratava de algo explicitamente político, mas sim de representar Porto Rico e o povo latino, colocando-os em destaque no maior palco do mundo, para celebrar sua cultura e fazê-los se sentirem vistos e amados. A apresentação queria levar alegria ao mundo, unir a todos para que se divertissem, celebrar as pessoas comuns e encorajar as pessoas a perseguirem seus sonhos. É claro que havia comentários, mas eles eram sutis e faziam parte de uma narrativa”, diz Harriet.

Bad Bunny
Bad Bunny no Super Bowl 2026 (Grosby Group)

Para o diretor, um dos trechos mais ambiciosos foi a sequência em que Benito “cai” dentro da casita, criando uma transição entre ao vivo e gravações prévias.

“O espetáculo foi incrivelmente ambicioso em todos os aspectos. Não se tratava apenas de uma estrutura física gigantesca, mas também de uma produção incrivelmente detalhada, complexa e intrincada em todos os departamentos, especialmente no que diz respeito ao design, à seleção de elenco especializado e ao trabalho inovador de câmera, nunca antes tentado na TV ao vivo.”

“Quando Benito cai dentro da casa, a cena corta de um momento ao vivo para uma gravação prévia do interior da casinha, que contém outra gravação prévia (na tela da televisão dentro da casinha), para dar a impressão de que ele caiu na sala de estar de uma avó, enquanto a família assiste ao show do intervalo ao vivo. Este foi apenas um momento de 10 segundos em 13 minutos, então você pode imaginar o tamanho do projeto que foi conceber criativamente tudo isso e executá-lo e ensaiá-lo em todos os departamentos.”

Parte da equipe viajou a Porto Rico para mergulhar na atmosfera local, fotografar fiações elétricas, estudar arquitetura e captar energia cultural. Para Julio, a especificidade foi justamente o que tornou o show universal.

“Acreditamos firmemente que a especificidade é o que torna algo universal. Não é preciso reconhecer todas as referências para sentir aconchego, orgulho ou nostalgia. Se o espaço parece vivido e autêntico, as pessoas se conectam emocionalmente. Confiávamos que a autenticidade transcenderia culturas, mesmo que nem todos conseguissem nomear cada detalhe.”

Bad Bunny
Bad Bunny durante show em SP (Clayton Felizardo/Brazil News)