Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Criolo revela história da capa do novo disco feita por Vik Muniz

Criolo contou à Billboard Brasil detalhes do novo disco

Capa do álbum 'Criolo, Amaro & Dino' Arte de Vik Muniz

Capa do álbum 'Criolo, Amaro & Dino' Arte de Vik Muniz

Criolo conversou com a Billboard Brasil sobre o novo disco  “Criolo, Amaro & Dino”, algumas inspirações do novo trabalho e a celebração da amizade entre o rapper paulista, o pianista pernambucano Amaro Freitas e o cantor e ativista português de ascendência de Cabo Verde, Dino D’Santiago. Os laços entre os artistas resultaram  no álbum de 12 músicas que passeiam por acid jazz, rap, MPB e influências de Cabo Verde, como o batuku e o funaná.

A versatilidade do disco foi amplificada pelos encontros entre brechas nas agendas dos três artistas para as gravações que aconteceram entre São Paulo, Recife e Lisboa.

Entre participações especiais e discursos afiados, um dos destaques do trabalho é a capa feita pelo artista plástico Vik Muniz.

Capa do álbum 'Criolo, Amaro & Dino' Arte de Vik Muniz
Capa do álbum ‘Criolo, Amaro & Dino’ Arte de Vik Muniz

A história da capa de “Criolo, Amaro & Dino” feita por Vik Muniz

Há histórias de bastidor que parecem lendas até o dia em que viram objeto, com tinta, recorte e conceito estampados na vitrine do streaming, no caso das capas de disco. A capa de “Criolo, Amaro & Dino” é uma delas. Ela nasceu de uma cena simples, quase silenciosa, registrada no tempo e guardada como promessa.

Há 15 anos, Criolo estava em um encontro de artistas na casa de Caetano Veloso e ficou por um tempo admirando a destreza no violão e a voz de Seu Jorge. O artista plástico percebeu o olhar atento e admirado de Criolo.

“Eu sei que eu estava ali sentado do lado do Seu Jorge, em silêncio, enquanto ele estava com o violão, Estava  vendo se eu aprendia alguma coisa com o mestre”, relembra Criolo.

Foi quando o acaso atravessou o quadro. “Aí nisso, passa o Vik Muniz e diz: ‘Deixa eu fazer uma foto de vocês dois porque acho que vai ser difícil um encontro assim acontecer.’” 

Na conversa daquele dia após a foto, ficou também uma oferta que parecia carinho de artista para artista, um gesto aberto para o futuro. “Um dia eu vou fazer uma capa sua Criolo, se você quiser”, relembra Criolo.

O futuro demorou, mas chegou.

A faísca que reacendeu a lembrança veio pela paixão de Dino d’Santiago pelas artes plásticas. Criolo descreve o amigo como alguém “debruçado no processo” criativo, vivendo a construção de sua própria obra e celebrando referências visuais. 

No meio desse circuito, que incluiu viagem e encontros, a memória do “aceno” antigo de Muniz voltou inteira. “Eu falei para o Dino: ‘Você conhece o Vik? Conhece o trabalho dele?’ Ele falou: ‘Conheço, sou muito fã do trabalho do Vik’.”

A decisão sobre ter Vik com a arte de capa foi quase imediata. Criolo consultou o artista para saber se a promessa ainda estava de pé. A resposta veio com método e escuta.

Vik pediu para ouvir o disco antes de criar. O resultado, nas palavras do rapper, foi definitivo. 

A história tem algo de circular, como uma melodia que retorna com outra harmonia. Começa com admiração, passa por generosidade, atravessa 15 anos e desemboca numa capa que carrega, ao mesmo tempo, registro, encontro e destino. E combina com a própria assinatura de Vik Muniz, conhecido por tensionar imagem e materialidade, criando trabalhos a partir de elementos pouco usuais e transformando a percepção em linguagem.

Ouça o álbum “Criolo, Amaro e Dino”