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Como o futebol e o crescimento dos filhos inspiraram Dado Villa-Lobos

"Adeus Bem-Vinda", seu novo single, é parceria com o gremista Humberto Gessinger

Dado Villa Lobos Leo Aversa Divulgacoo

O guitarrista e cantor Dado Villa-Lobos (Léo Aversa/ Divulgação)

Aparentemente, assistir à partida entre Grêmio e Chapecoense estimula a criatividade. Explicando melhor: o guitarrista Dado Villa-Lobos estava conferindo o jogo entre essas duas equipes quando finalmente decidiu enviar um tema para o cantor e compositor Humberto Gessinger, outro ícone do rock brasileiro. “Mandei o tema original –na verdade, uma demo– que tinha uma batida eletrônica e uma guitarra meio Ennio Morricone”, disse o músico, referindo-se ao maestro italiano, que criou algumas das trilhas mais pop do cinema. A resposta do gremista Gessinger foi tão perfeita quanto os cruzamentos do lateral Arce para os atacantes do Grêmio no início dos anos 1990. “Humberto mandou uma versão já com a letra que ele tinha feito e tocando no violão. Aí a leitura dele para a música emplacou, entendeu? A minha era muito alternativa, obscura.” 

“Adeus Bem-Vinda”, a tal parceria, chegou hoje às plataformas de streaming. Marcada por um forte acento do folk rock, ela prenuncia “Monsanto”, novo trabalho do guitarrista –e cada vez mais cantor–, que tem previsão de lançamento para maio. A letra nasceu de uma certa inquietação do ex-Engenheiros do Hawaii, cuja filha casou-se com um sueco e foi morar em Estocolmo. Fala exatamente da situação dos filhos que crescem e vão buscar suas histórias.

Dado e Humberto, que cantam e tocam na faixa, são reforçados ainda por outro nome de alta patente do rock nacional: Herbert Vianna, guitarrista e líder dos Paralamas do Sucesso. “Ele tem uma agenda cheia de quinta e domingo, mas fica um pouco inativo no resto da semana”, diz Villa-Lobos. O guitarrista pensou também no prazer de ver Herbert tocar um material inédito. “Falei com o José Fortes, empresário dos Paralamas, e ele me sugeriu trazer o Herbert direto para o estúdio”. A ligação entre os dois músicos vai muito além de terem participado de duas das bandas mais icônicas dos anos 1980 –e das décadas seguintes, claro. “Ele é meu ídolo, eu ia assistir ao ensaio dos Paralamas e me encantar com as versões deles para Jimi Hendrix, Santana, Led Zeppelin. Foi muito emotivo ver o Herbert no estúdio”, confessa.

Dado Villa-Lobos tem uma personalidade inquieta. A sua carreira pós Legião Urbana inclui trilhas sonoras para filmes e seriados e discos solos marcados por novas e inusitadas parcerias e experimentações musicais. “Eu não posso fazer o óbvio. Estou sempre em busca de novos pedais, plugins… Este disco agora, por exemplo, tem a mistura do eletrônico com violões. É a busca por uma identidade, uma diretriz não tão convencional, como a gente costuma ouvir no rádio”, explica. “É uma inquietação nesse sentido assim, cara, não repetir o que já foi feito e tentar buscar novos novos caminhos dentro desse universo que é a música.” Um dos parceiros mais constantes nessa eterna busca é Luís Nenung, do grupo de rock budista Os The Darma Lóvers. A junção da dupla se deu pela primeira vez em “Jardim de Cactus”, disco que Dado soltou em 2005, permanece firme em “Monsanto”. Há pelo menos quatro canções de Nenung.

O guitarrista ainda defende o legado da Legião Urbana. Ele, o baterista Marcelo Bonfá e o vocalista André Frateschi (eles são proibidos de usar o nome da banda por divergências com Giuliano Manfredini, filho do vocalista e líder Renato Russo) fizeram shows com toda a discografia da banda. “A gente deu uma parada no projeto por agora, mas existe uma chance de apresentar esse repertório numa edição especial do C6 Fest”, conta o músico, referindo-se ao festival musical criado pela Dueto Produções, da empresária e cineasta Monique Gardenberg, e que pretende fazer uma versão paralela do evento com o desfile de clássicos do rock brasileiro. “2026 marca os quarenta anos do disco ‘Dois’ e trinta anos da passagem de Renato”, lembra Dado. André Frateschi, aliás, ajudou o guitarrista a aprimorar um de seus novos talentos. Em “Adeus Bem-Vinda” nota-se que Villa-Lobos está mais seguro na função de cantor. “Ele deu dicas de um professor que dá aulas online e me mostrou como dominar melhor esse instrumento”, brinca. 

“Monsanto” começou a ser gestado em Portugal, país onde Dado Villa-Lobos ficou confinado por dez meses durante os tempos de pandemia. “Fui visitar o meu filho e decretaram o lockdown. Nem sequer havia vôos de volta para o Brasil”, comenta. Algumas canções foram trabalhadas inicialmente no país e foram batizadas com o nome de algumas localidades dali –Monsanto, aliás, é uma vila de Portugal. Outras canções, como a instrumental “Endurance”, saíram de sobras de trilhas sonoras – ela acabou não sendo utilizada em “Bom Dia, Verônica”, exibida pela Netflix. “Monsanto”, o disco, tem previsão de lançamento para maio. Enquanto isso, que venham mais partidas do campeonato brasileiro.