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Como ‘crise do metanol’ afetou os shows em SP?

Ticket médio caiu 9,55% segundo relatório

Fotos show Jorge Mateus 10

Fãs da dupla Jorge e Mateus nos dias 5 e 6 de abril em São Paulo

A Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) divulgou um relatório conduzido pela plataforma Zig que analisa os efeitos da crise do metanol no consumo em eventos realizados em São Paulo. O estudo, baseado em 970 mil pedidos em 135 eventos em setembro e outubro de 2024 e 2025, indica uma redução no valor gasto e uma alteração na preferência de bebidas.

O levantamento revela uma queda de 9,55% no tíquete médio, que recuou de R$ 182,01 para R$ 164,63 por transação. Esta redução de R$ 17,38 foi observada em todas as faixas etárias. A queda foi de –9,54% entre 18 e 24 anos e chegou a –34,10% no público acima de 65 anos.

Metanol em SP: substituição de coquetéis por industrializados

A análise confirma uma mudança na composição do mix de bebidas. As bebidas prontas (Ready to Drink – RTD) aumentaram sua participação de 18,71% para 26,37%. As fermentadas, como a cerveja, também registraram crescimento, passando de 58,16% para 62,65%. Em contraste, as destiladas registraram perda, caindo de 23,26% para 10,99%.

As retrações nos destilados foram as seguintes: vodka recuou 4,02 pontos percentuais, gin caiu 6,33, e whisky diminuiu 1,82 pontos percentuais. O movimento indica a substituição de drinks e coquetéis por opções lacradas e industrializadas, percebidas como mais seguras após o episódio do metanol.

Comportamento por porte de evento e público

O estudo categorizou os eventos de Pequeno Porte até Super Mega (acima de mil terminais de venda). Nos megaeventos, a reação de consumo foi mais equilibrada: RTDs cresceram 79,46% e cerveja 29,29%.

Nos eventos de Pequeno e Médio Porte, a substituição foi mais intensa. As bebidas prontas (RTDs) cresceram 365% em volume de vendas no comparativo anual, tornando-se a principal categoria de crescimento. Cerveja subiu 22,70%, e spritz cresceu 18,93%. Em contraste, vodka caiu 42,84%, gin 63,65% e whisky 65,68%.

O volume de consumo cresceu entre os jovens: 11,61% no grupo de 18 a 24 anos e 4,90% entre 25 e 34 anos. O público acima de 65 anos, no entanto, teve retração de 23,10%.

Análise do mercado e perspectivas

Doreni Caramori Júnior, presidente da ABRAPE, avaliou que o cenário é de adaptação. “É um momento de adaptação para o setor, que busca conciliar segurança, qualidade e experiência. No entanto, a tendência é de que tudo se normalize. Vamos continuar utilizando esta ferramenta para avaliar o comportamento do público ao longo do tempo,” declarou.

David Pires, CEO da Zig, reforçou a importância da análise de dados: “Dados são o futuro do mercado e é essencial que o setor tenha ferramentas como a da Zig para orientar decisões com precisão. Só com informação de qualidade é possível orquestrar estratégias, ajustar portfólios e entender como o público está se comportando de fato”.

O cenário atual indica uma reconfiguração do mercado, com RTDs e cerveja como pilares de faturamento. O consumo é classificado como mais criterioso, guiado por confiança e conveniência.