BTS no Brasil: a noite de 2014 que ninguém esqueceu
Bastidores e relatos mostram como nasceu a conexão com o Brasil

Babi Dewet com o BTS no fan meeting em 2014 em São Paulo (Arquivo pessoal/Reprodução)
O BTS percorreu um longo caminho até se tornar um dos maiores grupos na história da música pop. O início da carreira, em 2013, foi marcado por shows pequenos, proximidade com os fãs e pela persistência de seus integrantes em seguir o sonho artístico.
RM, Jin, J-Hope, Suga, Jimin, V e Jung Kook debutaram pela então Big Hit Entertainment (agora BIGHIT MUSIC) e focaram em uma abordagem global desde o início da trajetória. A estratégia os trouxe ao Brasil em 2014 – com apenas um ano de carreira.
Na época, eles se apresentaram na Via Marquês, casa de eventos em São Paulo com capacidade para apenas 1,5 mil pessoas (algo impensável nos dias de hoje). A escritora, especialista em K-pop e produtora Babi Dewet foi a mestre de cerimônias do fan meeting, que misturou performances do grupo e várias interações com o público.
Em conversa com a Billboard Brasil, ela relembra os bastidores e como a experiência foi bem diferente do que ela estava habituada: “Eu já tinha trabalhado em outros eventos, mas esse roteiro veio pronto e em um formato que eu não estava acostumada”.
“Até hoje, os roteiros de shows de K-pop são diferentes. São muito certinhos com o tempo, as falas já vêm como eles querem que sejam faladas. Além do roteiro [do BTS] ser gigante, eu lembro de ter 1 minuto e pouco para poder falar uma frase, por exemplo.”
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Antes do início do fan meeting, Babi fez uma passagem de roteiro com os cantores, com apoio de uma intérprete. Ela relembra que toda a interação com os meninos aconteceu de forma tranquila e natural – encontro difícil de acontecer hoje em dia, após eles se tornarem grandes fenômenos globais.
“Eu já era fã. Eu tinha canal no YouTube sobre K-pop. Era muito mais tranquilo [na época], por eles serem rookies. Foi a única vez na vida que o BTS foi acessível. Depois disso, eles foram blindados. Eles estavam fazendo exercício vocais, um arrumando o cabelo, outro no espelho, outro comendo. Era uma bagunça organizada. Mas era tudo tranquilo.”
Babi destaca a naturalidade com que a equipe do grupo, tanto local quanto internacional, a conectou com os artistas.
“Fui apresentada de uma forma muito natural. O que achei legal da produtora é que eles não me distanciaram [dos meninos]. Me aproximaram. Claro, nós teríamos um momento próximo no palco, de interagir e trabalhar juntos.”
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Como foi o evento?
Foram 90 minutos de fan meeting e um hi-touch para fãs ao final da noite. O BTS apresentou músicas como “Boy in Luv”, “No More Dream”, “N.O”, “We Are Bulletproof Pt.2” e “Just One Day”.
Babi relembra que foi tratada com simpatia por todos eles, mas RM, líder do grupo, apresentava mais desenvoltura justamente por já ter tido experiências internacionais.
“Imagino porque ele já falava inglês e já tinha contato com pessoas de outros países. Os outros eram mais envergonhados, olhavam para o chão. Tive que conquistar essa confiança deles, mas foram extremamente simpáticos comigo, do começo ao fim”.
Como o grupo ainda estava no início, uma das dificuldades de Babi era de decorar o nome dos sete integrantes. Ela relembra que conseguiu gravar os nomes de alguns, mas ainda se confundia. Os meninos parecem ter percebido e a ajudaram de uma forma muito marcante.
“Logo no início, eu tinha que fazer perguntas para cada integrante. Era a vez do Jimin. Eu tinha que apontar para ele e dizer o nome dele. Mas ele levantou a mão e disse: ‘Jimin, Jimin’, falando o próprio nome em voz alta. Foi muito marcante para mim, até senti vontade de chorar. Pensei: ‘Poxa, que menino legal’. Esse companheirismo que existiu me marcou muito, porque todos os membros começaram a fazer o mesmo. Eles levantavam a mão dizendo o próprio nome [para me ajudar]”.
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Percepção de fã
Fã do BTS desde a estreia do grupo com o mini-álbum “O!RUL8,2?”, a diretora criativa Rafaela Rodrigues também esteve presente no show em 2014. Ela relembra que ficou surpresa pela repercussão do evento, mesmo se tratando de um grupo estreante.
“Estava lotado, tinha esgotado. Isso foi uma coisa que me surpreendeu, porque não era o primeiro show de K-pop no Brasil. Outros grupos vieram antes e eu pensei: ‘Os cinco primeiros shows vão lotar, depois vai ser cada um por si’. Mas o BTS conseguiu montar uma comunidade no Brasil muito grande e muito rápido”, avalia.
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Rafaela atribui esse amor dos brasileiros pelo grupo à forte presença do BTS nas redes sociais e plataformas desde aquela época. Até hoje o septeto utiliza da internet para manter forte o vínculo com os fãs.
“Eles foram os primeiros a usar a internet da melhor forma. Um mês antes, os meninos estavam entregando panfleto na rua [nos EUA] para chamar público para o show… Poucas semanas depois, já estavam com show esgotado no Brasil”, diz.
Fã de K-pop de 2008, Rafaela sentiu o potencial de sucesso naquele primeiro encontro com o BTS. “Quando eles entraram no palco e cantaram a primeira música, eu tive a sensação de que eles seriam grandes. Foi algo fora do normal, dava para perceber que eles eram diferentes”.
“Esse show no Brasil foi muito importante, porque foi um momento íntimo com os fãs. Era um lugar pequeno, todos estavam pertinho. É o maior exemplo de montar uma comunidade. Quem foi naquele show, nunca mais vai ter algo como ele. O BTS até pode fazer um fan meeting, mas nunca vai ser naquela proximidade.”

Paixão brasileira
Para Rafaela, o show de 2014 foi responsável também por manter o Brasil nas turnês seguintes do BTS, que aconteceram em 2015, 2017 e 2019. Agora, o grupo tem um novo reencontro com o país, marcado para outubro deste ano como parte do grande comeback do septeto após quase quatro anos.
“O público brasileiro não é reativo, ele é responsivo. Então, eles terem tido essa experiência logo no começo da carreira criou essa conexão com o Brasil, e que eles têm até hoje. Não consigo imaginar uma turnê do BTS que não passe por aqui”, analisa a diretora.
Babi concorda e acrescenta: “Eles fizeram um movimento contrário do que estava sendo feito na Coreia do Sul na época, que era divulgar a música deles para fora antes. Nem os grupos grandes estavam fazendo isso. O BTS veio para o outro lado do mundo antes mesmo de começar a fazer sucesso ou ter grana para isso”.
Como especialista no gênero musical, Babi diz ter surpresa com o tamanho que o grupo conquistou com o passar dos anos. Hoje, eles são considerados um dos maiores representantes do K-pop no mundo.
“Ouvi muitas pessoas falando que o BTS tinha futuro dentro do mercado. Eu também tinha expectativa naquela época, mas acho que ninguém esperava o que se tornou. Foi algo muito acima do que a gente tinha sonhado em acontecer com o K-pop.”
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