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Brasil precisa entender que música é negócio

Luiz Calainho reflete sobre os negócios da música

Empresário Luiz Calainho (Guto Costa)

Empresário Luiz Calainho (Guto Costa)

Sem nenhuma dúvida, a música é o maior ativo cultural do Brasil. Sempre foi. Mas hoje, é muito mais: é um dos setores mais estratégicos e pulsantes da economia criativa global.

Há mais de três décadas, vivo intensamente esse universo — primeiro na indústria fonográfica, depois como empresário, criando e produzindo projetos que unem música, marcas e público. E posso afirmar com absoluta convicção: a música brasileira já não é apenas patrimônio artístico. Ela é um dos negócios mais robustos e transformadores do país — e precisa ser tratada com a mesma seriedade com que se tratam as maiores indústrias nacionais.

Somos definitivamente o povo mais musical do planeta. E digo isso com a certeza de quem percorreu os cinco continentes, primeiro como diretor de marketing e depois como vice-presidente da Sony Music. A música aqui é idioma nacional: está nos estádios, nas rodas de samba, nas lives de sertanejo, nos palcos dos teatros. É a trilha da vida cotidiana e, ao mesmo tempo, um vetor econômico. Um show nunca é “só” entretenimento. É turismo, gastronomia, transporte, mídia, influência. É uma cadeia inteira que se move ao ritmo da batida brasileira.

Testemunhei isso de perto. Estive ao lado de gigantes — de Roberto Carlos a Shakira, de Daniela Mercury a Michael Jackson — e vi como uma simples canção pode mover multidões e transformar destinos. Hoje, à frente da L21 Corp, que completa 25 anos em 2025, sigo com a certeza de que a música é a indústria mais estratégica que o Brasil tem para oferecer ao mundo.

A L21 nasceu como um sonho e tornou-se um dos maiores hubs da economia criativa brasileira. São 17 unidades de negócios que reúnem rádios, gravadoras, festivais, conferências, teatros, casas de shows e portais digitais, impactando milhões de pessoas por ano. Mais que entretenimento e glamour, é geração de mais de 8 mil empregos, ativação de marcas e reposicionamento de territórios. Só a economia criativa brasileira já movimenta cerca de R$230 bilhões por ano e emprega quase 8 milhões de pessoas.

O Blue Note Brasil trouxe a sofisticação de Nova York para São Paulo e Rio, tornando-se referência em música ao vivo. O Festival TIM Music Noites Cariocas voltou ao Morro da Urca mais relevante do que nunca. A SIM São Paulo consolidou-se como a maior conferência de música da América Latina. E a Aventura profissionalizou o teatro musical, colocando o Brasil como o terceiro maior produtor mundial do gênero, atrás apenas dos EUA e da Inglaterra.

E, claro, a Musickeria, a gravadora do grupo, que se desdobra na área artística com projetos como o emblemático SambaBook, e ainda, o braço corporativo da empresa, que atende a agências de publicidade e grandes corporações, quando o “ativo” música é escolhido para posicionar e engajar grandes marcas a seus públicos.

Mas não se trata de listar conquistas. Trata-se de entender que o brasileiro ainda não percebe a real dimensão do país em que vive. Do vinil ao streaming, do auge dos CDs à revolução digital, estive presente em cada virada da indústria mundial. E aprendi que, assim como canta Gonzaguinha, seremos sempre “eternos aprendizes”. Evolução constante é a alma do nosso mercado — e o Brasil, com seu talento infinito, é o protagonista natural desse palco.

A música é emoção, mas também é soft power, diferencial competitivo, branding e engajamento. É a ponte mais poderosa entre empresas e pessoas. E as grandes corporações já sabem disso: a música conecta, emociona, cria experiências e deixa marcas eternas.

Agora, o próximo passo é inadiável: internacionalizar a música brasileira. Não é opção, é prioridade. O K-pop e o reggaeton já provaram que uma cena bem estruturada pode conquistar o mundo. Mas a diferença é que o Brasil não precisa inventar uma onda. Nós já somos a onda.

Investir em música não é filantropia. É apostar em um setor que movimenta bilhões, gera empregos e fortalece a imagem do Brasil como potência global. É investir em futuro.

Porque, no fim, a música é emoção, identidade e negócio. E quando falamos de música, o Brasil não é coadjuvante. É protagonista absoluto. É a maior potência musical do planeta.
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Luiz Calainho é empresário e está à frente da L21 Corp, um dos maiores hubs de economia criativa do Brasil. Reconhecido pela atuação em projetos inovadores, é referência no fortalecimento da cultural no país