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Por que o Brasil entrou na mira de empresas musicais do Leste Asiático

País deixou de ser apenas um polo de fãs engajados e passou a integrar planos

Por que o Brasil entrou na mira de empresas musicais do Leste Asiático

Por que o Brasil entrou na mira de empresas musicais do Leste Asiático (Billboard Brasil)

Se antes o foco das empresas asiáticas mirava exclusivamente os Estados Unidos e a Europa, os últimos dois anos consolidaram o Brasil como destino estratégico para o J-Pop e o K-Pop. Para além de gigantes sul-coreanos como BTS e Stray Kids, outros artistas lideram um movimento que vê o mercado brasileiro como oportunidade de crescimento orgânico.

“Nossa aproximação da América Latina faz parte da estratégia global da empresa. Mas a gente sabe que não dá para tratar a região como um bloco único. Cada país tem preferências musicais e referências culturais muito próprias”, explica Kazu Ishii, estrategista do departamento global de marketing da LDH JAPAN Inc., agência japonesa que gerencia dezenas de artistas, entre eles WOLF HOWL HARMONY, BALLISTIK BOYZ e f5ve.

O Brasil começou a ganhar mais importância dentro da empresa a partir de janeiro de 2024, quando o PSYCHIC FEVER lançou “Just Like Dat” e viu o número de fãs brasileiros crescer de forma consistente. No ano seguinte, o país já aparecia entre os cinco que mais consomem músicas e conteúdos do grupo.

“Percebemos que São Paulo concentra muitas pessoas interessadas na cultura japonesa e que o J-pop está crescendo por aqui. Isso fez a gente olhar para o Brasil com mais atenção. Também tem o fato de o GHEE, do WOLF HOWL HARMONY, ser brasileiro. Quando começamos a postar conteúdos em português, a resposta do público foi muito positiva e gerou grande interesse. Depois, publicamos vídeos usando tendências brasileiras do TikTok e gêneros musicais como funk e sertanejo, que receberam uma resposta incrível”, conta Kazu. A conexão com o país não para por aí: Ryusei Kainuma, do BALLISTIK BOYZ, também tem raízes brasileiras, o que reforça o vínculo simbólico dentro da empresa.

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Dentre o casting da LDH, PSYCHIC FEVER e f5ve são os mais ouvidos no Brasil. “Os fãs brasileiros são muito diretos e expressivos com suas emoções. Eles nos dizem abertamente o quanto querem que a gente vá para lá e o quanto querem nos conhecer. À medida que nossas atividades continuam a se expandir globalmente, sentimos algo quase predestinado em nossa conexão com os fãs no Brasil. Acreditamos que é uma relação que pode se tornar verdadeiramente especial”, declara TSURUGI, do PSYCHIC FEVER.

O investimento no público brasileiro também aparece na própria sonoridade de seus artistas – como “BAKUON” e “Gachi Funk”, do WOLF HOWL HARMONY, que incorpora elementos do funk brasileiro com o pop japonês. “Embora ainda não haja planos concretos, temos muito interesse em criar versões em português de nossas músicas, colaborar com artistas brasileiros”, diz Shoji Omine, gerente artístico da LDH.

Ludmilla, Chitãozinho e Xororó, Anitta e Zé Vaqueiro estão na lista de parcerias dos sonhos de GHEE. “Quando me disseram que já temos uma fanbase grande no Brasil nos apoiando, fiquei emocionado e quase chorei. Isso me deu ainda mais vontade de trabalhar para levar nossa música para pessoas do mundo todo. E, um dia, eu quero muito que a gente se apresente ao vivo no Brasil.”

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Mercado consolidado

Para o K-pop, o Brasil não é mais uma aposta. Segundo o “K-pop Radar”, o país foi o 8º que mais consumiu o gênero no mundo em 2025. Nos últimos anos, grupos das maiores empresas do setor – como SM Entertainment e JYP Entertainment – passaram a incluir São Paulo em suas turnês, caso de TWICE, aespa e NCT.

Em setembro, o Stray Kids será headliner do Rock in Rio. Após reunir 175 mil fãs em três shows em São Paulo e Rio no ano passado, eles serão o primeiro ato do gênero musical no festival. Já o BTS retorna aos palcos brasileiros em outubro, com três shows em São Paulo. Vale destacar que o septeto visita a capital paulista desde 2014, logo no início da carreira. Por outro lado, grupos menores também estão consolidando seus próprios espaços e públicos. É o caso do ARTMS, que trouxe as duas turnês mais recentes para São Paulo, a última delas em dezembro.

As artistas fazem parte da MODHAUS, que cuida também do tripleS e idntt. “Viajar a longa distância entre Seul e o Brasil para fazer um show pode ser exaustivo para alguns, mas as integrantes sempre falam que recebem uma energia incrível dos fãs brasileiros”, conta Jaden Jeong, CEO da agência. “Até o momento, o Brasil faz parte da nossa estratégia global. Ainda assim, nosso conhecimento do mercado brasileiro é insuficiente, por isso planejamos aprender com os fãs locais para podermos desenvolver uma estratégia adequada”, completa.

No radar chinês

O movimento não se limita à Coreia do Sul e ao Japão. O mercado musical chinês também está de olho nos brasileiros. É o caso da cantora e produtora Lexie Liu. Com mais de 80 milhões de views no YouTube e 300 mil ouvintes mensais no Spotify, o país ficou em 2º lugar na retrospectiva da artista na plataforma de streaming.

“Acho que o multiculturalismo do Brasil cria uma cultura de escuta muito aberta. Há uma curiosidade e abertura para sons que não vêm de uma narrativa dominante, e isso é muito importante para artistas como eu, que não se encaixam perfeitamente em uma única categoria”, avalia Lexie.

“As pessoas são incrivelmente abertas à música global e o consumo é alto e constante. São ouvintes fiéis e não apenas passivos. Lexie tem uma base de fãs crescente no Brasil. É muito bonito ver isso, considerando a distância geográfica e nossas diferenças culturais”, acrescenta Zethu Gqola, manager de marketing da Platoon, empresa responsável por Lexie. A cantora viajou para Trancoso, na Bahia, onde passou as férias e também aproveitou para mergulhar na cultura local.

“Como artista chinesa que faz música pop que mistura diferentes influências, não vejo minha origem como algo que precise ser ‘traduzido’, mas sim como algo que pode ressoar emocionalmente além das fronteiras. O Brasil me parece um lugar onde esse tipo de intercâmbio intercultural não só é aceito, como também celebrado.”