
Bad Bunny (Reprodução YouTube)
Brasil chega para bailar na festa de Bad Bunny
Benito Antonio Martínez Ocasio não é apenas um nome nas paradas de sucesso; é uma mudança de paradigma. Enquanto o mundo via o ex-empacotador de supermercado de Porto Rico saltar dos corredores do comércio para o topo dos charts globais, o Brasil assistia ao fenômeno de longe, de forma tímida. Mas, em 2026, a “ilha brasileira” se conectou de vez com Bad Bunny e, especialmente, ao orgulho latino que ele exala.
Dois fatos foram marcantes para chamar a atenção dos brasileiros antes do show no país. Primeiro, a vitória na categoria de Álbum do Ano no Grammy. Em seu discurso, ele rechaçou as políticas do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, lembrando que o orgulho latino não pede licença para existir.
Depois, a histórica apresentação no intervalo do Super Bowl LX, que foi a mais assistida de todos os tempos com 4,157 bilhões de visualizações.
O resultado prático dessa onipresença foi sentido na Billboard Brasil Hot 100 de março, onde Benito emplacou quatro músicas simultaneamente: “DtMF”, “BAILE INoLVIDABLE”, “NUEVAYoL” e “Tití Me Preguntó“.
A ascensão de Bad Bunny no país poderia ser um estudo de caso sobre autenticidade que seduz. Diferente de outras estrelas latinas amadas pelos brasileiros, Benito fincou o pé no espanhol.
O disco “Debí Tirar Más Fotos” (DTMF) gera identificação imediata através de sutilezas, como as cadeiras de plástico brancas na capa. Elas simbolizam momentos simples e comunitários comuns em qualquer quintal ou calçada da América Latina, evocando memória e pertencimento.
É como se Bad Bunny fosse um amigo que entende o que vivemos sem precisar explicar muito.
Esse artista acolhedor atraiu há bons anos a atenção do diretor de arte da Billboard Brasil, Eduardo Pignata, 33, e seu marido Lucas Izidro, 30. O casal simboliza a base de fãs de Bad Bunny no país. Eles frequentam a festa paulistana ¡SÚBETE!, que toca reggaeton e música latina. No show do Allianz Parque, em 20 de fevereiro, eles realizaram um sonho.
“O que mais me atrai no som do Bad Bunny e na ¡SÚBETE! é a diversidade de estilos e de corpos. Eu me sinto à vontade. As pessoas ficam à vontade para ser quem elas são. É para todos”, explica Eduardo.
A experiência do show do Bad Bunny realmente tem essa marca de espaço democrático. É o caso da cenografia da La Casita, uma passarela suspensa que leva Benito ao centro do estádio, garantindo que o público da pista comum tenha uma boa visão e quebre a hierarquia tradicional das frentes de palco. Será que a moda pega?
No ápice da noite, o público se emocionou com o hit “DeBí TiRAR MáS FOToS”. Bad Bunny tem por hábito projetar fotos do público no telão, tornando o momento uma experiência interativa e nostálgica.
Nesse momento, o telão projetou a foto de um beijo entre Eduardo e Lucas. A imagem projetada em grande escala, foi um divisor de águas. Para Lucas, o momento foi incrível. “É como contar para o meu cantor favorito sobre o meu amor e ter uma abraço dele de volta”, explica.
Apesar de ser o artista mais falado do mundo, Benito ainda tem teto para crescer por aqui, disputando espaço com a quase onipresença do sertanejo e do funk.
O beijo de Eduardo e Lucas sob as luzes do Allianz não foi apenas um frame de um show de estádio, que reuniu mais de 90 mil pessoas, somando as duas noites de apresentação. Foi um sinal de que o Brasil segue olhando para o espelho, mas está entendendo mais e melhor como dançar com o resto do continente. O “Conejo Malo” não é um estranho; ele é o dono de uma grande festa em que aceitamos o convite para bailar.
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