Black Sabbitch e a arte de endurecer sem perder a ternura
O quarteto feminino se especializou em canções dos reis do macabro Black Sabbath

O quarteto americano Black Sabbitch (Divulgação)
Uma banda de mulheres tocando Black Sabbath? Sim, isso é possível. Surgido em 2012, o Black Sabbitch traz em sua formação quatro meninas casca-grossa que se debruçam como poucas sobre o repertório eternizado por Tony Iommi (guitarra), Ozzy Osbourne (vocais), Terry “Geezer” Butler (baixo) e Bill Ward (bateria).
O grupo é liderado pela baterista Angie Scarpa, que anteriormente tocou em bandas pós-punk da cena de Los Angeles e contou até com a vocalista Peaches –conhecida da cena electro– como uma de suas integrantes. A qualidade das interpretações do Black Sabbitch chamou até a atenção de Sharon Osbourne (sim, mulher do “Senhor das Trevas”) que as recrutou para tocar num de seus eventos.
No final de 2025, o quarteto (que conta ainda com a vocalista Alice Austin, a guitarrista Emily Burton e a baixista Melanie Makaiwi) soltou “Unrest in the West”, um álbum ao vivo contendo releituras de clássicos dos reis do macabro. Foi sobre esse lançamento e outras curiosidades que Angie falou com exclusividade para a Billboard Brasil.
Em primeiro lugar, a pergunta óbvia, mas importante: por que Black Sabbath?
Black Sabbath tem sido uma das minhas principais influências como musicista desde que ouvi o álbum de estreia deles pela primeira vez, aos doze anos. Eu literalmente aprendi a tocar bateria tocando junto com os nove primeiros discos deles e Bill Ward é provavelmente o baterista que mais influenciou meu estilo.
Como um grupo de músicos que já se conheciam das turnês com nossos projetos originais, decidimos nos reunir uma noite só para tocar Sabbath. Deu certo imediatamente. Começamos a fazer shows e, quando nos demos conta, quinze anos se passaram e estávamos em turnê pelo mundo.
Vocês escutaram os discos do Black Sabbath com a fase Ronnie James Dio, Ian Gillan e Tony Martin ou só escutam com Ozzy Osbourne nos vocais?
Sim, ouvimos os discos da fase mais recente do Sabbath. Emily e eu conhecemos bem as eras de Dio e Ian Gillan. Estamos menos familiarizadas com o material de Tony Martin, embora certamente tenhamos esses discos, e eu já vi todas as formações da banda ao vivo.
Resumindo: para nós, o Sabbath sem os quatro membros originais é simplesmente uma banda diferente. Isso não significa que não apreciamos essas formações, mas o “swing” e a influência do jazz dos quatro originais são o que mais me interessam. Sem Bill Ward, é outra coisa. Tocamos apenas uma música da época de Dio – “The Sign of the Southern Cross” – e apenas uma vez, como uma homenagem especial no aniversário da morte de Ronnie James Dio.
Estou escutando seu maravilhoso álbum ao vivo e notei que, embora seja uma banda tributo, vocês têm seu próprio “som do Sabbath”. Por exemplo, quando tocam “Hard Road”, é uma música que parece ter sido composta pelo próprio Black Sabbath. Como vocês conseguem ir além de um cover?
Todos nós crescemos ouvindo essa música, então está essencialmente no nosso sangue. Sempre tentamos capturar a energia bruta de uma apresentação ao vivo do Sabbath do início dos anos 1970, em vez de simplesmente replicar os álbuns de estúdio. Nossas personalidades individuais transparecem naturalmente, especialmente depois de tocarmos essa música juntos por tanto tempo.
Li que Sharon e Ozzy conhecem a banda e os convidaram para tocar no Ozzfiesta. Como foi isso?
Fomos convidados para tocar no Ozzfiesta há alguns anos e até fizemos um show com Bill Ward e Geezer Butler presentes. As páginas oficiais do Black Sabbath nas redes sociais têm compartilhado nossos vídeos recentemente, então a banda está bem ciente da nossa existência. Agradecemos muito o apoio deles. Isso significa tudo para nós.
Peaches, a cantora de electrofunk, já cantou com o Black Sabbitch. Pode nos contar um pouco mais sobre essa experiência?
Sou amiga da Peaches há muitos anos e trabalhamos juntas em alguns shows em Los Angeles. Durante um evento de Halloween, certa vez, conversamos sobre a ideia dela ser a vocalista da banda. Acabamos fazendo duas noites com ela e foi incrível. Ela é uma vocalista extremamente talentosa e uma verdadeira artista. Já conversamos sobre repetir a parceria, mas ela mora em Berlim agora, então geralmente só nos encontramos quando nossas agendas de turnê se cruzam.
“Unrest in the West” é um álbum maravilhoso, repleto do que eu considero “clássicos do heavy metal”. Como vocês escolheram o repertório?
A essa altura, já conhecemos praticamente todas as músicas dos oito primeiros álbuns do Sabbath, então escolher o setlist para o álbum foi difícil. Nossos shows ao vivo geralmente duram quase duas horas, então tivemos que reduzir o tempo para caber em dois lados do vinil. Nos concentramos em criar um set com uma boa fluidez natural, misturando músicas menos conhecidas com algumas favoritas dos fãs. A segunda parte estará disponível em breve.

Gostaria também de saber sobre as bandas que vocês têm além do Black Sabbitch.
Todas nós temos nossos próprios projetos solo e bandas autorais — foi assim que nos conhecemos. A Alice está sempre lançando discos solo (pelo menos um por ano), e a Emily está prestes a lançar um novo disco com sua banda, Fireball Ministry.
Por último… Existe alguma chance de vocês virem ao Brasil?
Adoraríamos! Só precisamos convencer nossos agentes a fazer isso acontecer.

TRENDING
- MAMA Awards 2026 anuncia data e local da premiação 31/03/2026
- Alceu Valença: ‘A doidice no palco me revigora’ 27/03/2026
- BTS conquista 7º topo da Billboard com ‘ARIRANG’ 30/03/2026
- Yeonjun e Soobin do TXT revelam crise na amizade e o papel de RM para ajudá-los 01/04/2026
- BABYMETAL retorna ao Brasil para show único em São Paulo 31/03/2026