‘Lugar de pertencimento e afirmação’, diz Bixarte sobre show ‘Feitiço’
Rapper apresenta a performance ao vivo do disco em São Paulo nesta sexta (10)

Bixarte (divulgação
A cantora e rapper paraibana Bixarte estreia o show de seu álbum mais recente, “Feitiço”, em São Paulo. A apresentação acontece nesta sexta-feira (10), às 21h, no Sesc Pompeia, e promete um formato inédito na capital paulista, com banda e balé em nova formação.
A performance celebra o disco lançado em novembro do ano passado e propõe um rito coletivo. O repertório transita entre rap, trap, afrobeat, forró e pop, com destaque para a espiritualidade e a afirmação de identidade.
Em entrevista à Billboard Brasil, Bixarte detalha sua trajetória. Com origem no rap, a artista ressalta que essa vivência segue presente em seu trabalho. “A influência da linguagem de rua no meu trabalho hoje é tão potente quanto há sete anos. Eu continuo sendo a pessoa que veio do slam. Hoje, acesso a arte em outros lugares também. Faço teatro, por exemplo, em um espetáculo com Renata Sorrah, na Companhia Brasileira de Teatro. Vou explorando meu lado atriz, que sempre me fez sentir completa. Tenho buscado fazer coisas que me preencham nesse sentido.”
Ela também destaca a necessidade de adaptar essa estética a novos formatos. “A arte de rua hoje está em outra forma, porque também precisa ser vendável. Eu trago o slam e a poesia de rua para um lugar em que pessoas que dizem não gostar, por acharem gritaria, acabam consumindo sem perceber. No meu show, elas acham incrível, e é slam. É como colocar cebola bem picadinha para uma criança. Está ali, mas de um jeito que ela aceita.”
Sobre “Feitiço”, lançado em 2025 e agora transformado em espetáculo, a artista reforça o conceito do projeto. “Meu show ‘Feitiço’ não é só mais um show pop. Eu quero construir uma narrativa com começo, meio e fim. Não é sobre o fim da artista, mas sobre o fim da experiência do espetáculo. Quero que as pessoas saiam do show interessadas em conhecer outras travestis fazendo música. Existe uma pesquisa grande por trás, envolvendo banda, balé e estética. O ‘Feitiço’, para mim, é uma mandinga de sobrevivência. É isso que quero comunicar.”
A cantora afirma que o objetivo é ampliar repertórios e fugir do óbvio, propondo reflexões a partir de um trabalho estruturado. “O disco ‘Traviarcado’ rompeu algumas bolhas, especialmente considerando minha origem na Paraíba. Então pensei que não queria repetir fórmula. Quero mostrar que as pessoas gostam do meu trabalho porque eu estudo, pesquiso e me dedico, não apenas pela minha identidade. Antes mesmo de lançar o disco, eu já compunha imaginando o show. Cada música tem um lugar específico na narrativa. Isso faz toda a diferença. É um espetáculo para todos os públicos, inclusive crianças. Existe um discurso equivocado de que crianças não podem conviver com pessoas travestis, e isso é transfobia. Meu show também propõe essa reflexão.”
Elementos visuais e simbólicos reforçam a identidade do projeto. “Uso renda, que é um tecido muito forte na Paraíba e sustenta muitas famílias. Também trago referências de pombagira, que fazem parte da minha trajetória. É um grande manifesto, um feitiço aberto.”
Bixarte iniciou a circulação da turnê no Nordeste, com apresentações em cidades como Fortaleza, Natal e na Paraíba. Agora, a artista pretende expandir o projeto pelo Sul e Sudeste.
O show no Sesc Pompeia também conta com participações especiais, assim como o álbum. A cantora explica que as escolhas foram baseadas em artistas que marcaram sua trajetória. “Apesar de ser um disco pop, ele é muito hip-hop. Na faixa ‘Exu’, por exemplo, trago nomes que são fundamentais para mim.”
Entre os convidados, ela cita Emicida, além de artistas da Paraíba como Fúria Negra e Mari Santana. “Pensei em cada participação de forma muito cuidadosa. Tem Luedji Luna, Mona Brutal e Johnny Hooker, que marcou minha adolescência. Eu queria contar uma história de amor com ele. No show, ainda conto com participações como Don L e outros artistas que dialogam com minha proposta”, afirma.
A artista define o momento como um movimento coletivo. “Não dá para chegar sozinha em um sistema que segue sendo violento com pessoas como eu. A gente chega em grupo, fortalecendo um ao outro. Esse disco e esse show me colocam nesse lugar de pertencimento e afirmação.”
Ouça ‘Feitiço’, de Bixarte
TRENDING
- BTS: pré-vendas de shows no Brasil reúnem 630 mil fãs em fila virtual 09/04/2026
- Jung Kook, do BTS, desabafa sobre comentários: ‘Escondidos no anonimato’ 08/04/2026
- Cha Eun-woo paga dívida fiscal milionária e pede desculpas aos fãs 08/04/2026
- Heeseung, ex-ENHYPEN, anuncia novo nome artístico 08/04/2026
- BTS: veja o setlist da turnê mundial ‘ARIRANG’ 09/04/2026