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Bad Bunny não receberá cachê por apresentação no Super Bowl; saiba o motivo

Seguindo padrão da NFL, artista troca pagamento por exposição global

Bad Bunny

Bad Bunny vence principal prêmio do Grammy 2026 (Grosby Group)

Bad Bunny será o responsável pelo show do intervalo do Super Bowl LX, que ocorre neste domingo (8) em San Francisco. Apesar do status de estrela global, o artista não receberá um cachê pela performance, seguindo uma norma estabelecida pela NFL para os headliners do evento. As informações são da revista “Forbes”.

A liga cobre os custos de produção, que frequentemente ultrapassam US$ 10 milhões, mas os artistas recebem apenas o mínimo estipulado por sindicatos. A contrapartida para o músico é o alcance de marketing, visto que o palco atrai centenas de milhões de espectadores.

Ainda de acordo com a Forbes, como referência, a apresentação de Kendrick Lamar no ano anterior registrou média de 133,5 milhões de espectadores e gerou um aumento de 430% nas reproduções de sua faixa “Not Like Us“.

A apresentação marca um momento de transição para a liga, sendo a primeira vez que o evento terá um protagonista que canta prioritariamente em espanhol.

A escolha é interpretada por especialistas como uma decisão estratégica da NFL para expandir sua audiência internacional e atingir o crescente mercado de música latina, que saltou de 8% para 27% do volume total de streaming na última década.

Bad Bunny contra o ICE

A apresentação ocorre em um cenário de forte tensão política e social. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem adotado políticas rígidas contra imigrantes, incentivando ações d0 Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE).

Como forma de protesto, o artista porto-riquenho decidiu não incluir os Estados Unidos em sua turnê mundial, tornando o show do Super Bowl a sua única performance em solo americano. Há uma expectativa que o palco seja utilizado para enviar recados diretos ao governo, repetindo o tom de seu discurso no Grammy, onde o cantor dedicou sua vitória aos imigrantes que buscam seus sonhos fora de seus países de origem, além de criticar o ICE.

Leia mais – Trump critica Bad Bunny e Green Day e não irá ao Super Bowl

Bad Bunny (Diwang Valdez/Billboard)
Bad Bunny (Diwang Valdez/Billboard)

Quais foram as reações com o anúncio de Bad Bunny no Super Bowl?

A escolha de Benito, nome de batismo do cantor, para o evento gerou reações mistas. Setores conservadores e alguns jogadores da NFL criticaram a decisão, alegando que a atração deveria ser um artista americano, desconsiderando que porto-riquenhos possuem cidadania dos Estados Unidos.

Por outro lado, a Roc Nation, produtora de Jay-Z, defendeu a contratação como um esforço estratégico para globalizar a audiência da liga. O impacto comercial reflete a grandiosidade do espetáculo, com anúncios de 30 segundos durante a transmissão alcançando valores recordes estimados entre US$ 7 milhões a US$ 8 milhões, segundo apuração da Bloomberg.

Identidade cultural de Bad Bunny: o manifesto de um povo

O álbum “Debí Tirar Más Fotos” funciona como uma carta de amor visceral a Porto Rico. O disco utiliza a música e a estética para preservar a memória da ilha.

A capa apresenta duas cadeiras de plástico simples em um quintal de bananeiras. Essa imagem remete ao cotidiano das famílias porto-riquenhas no interior e ao mesmo tempo é uma imagem facilmente identificada para diferentes países latinos.

“É como ela se falasse: ‘Somos latino-americanos, a gente não precisa ostentar e se espelhar nos americanos, na Europa. Nós temos nossos próprios símbolos e representatividade’. É uma capa forte, política e muito simples”, disse o músico e etnomusicólogo Meno Del Picchia.

Como assistir o show de Bad Bunny no Super Bowl?

Além do show do intervalo, a cerimônia fica por conta de Green Day. Com transmissão confirmada no Brasil pela TV Globo, o show do Super Bowl promete ser mais do que entretenimento: será um ato de soberania cultural em horário nobre.