Bad Bunny no Super Bowl: por que o show é imperdível e histórico
Astro de Porto Rico é a estrela do maior show dos EUA

Bad Bunny (Diwang Valdez/Billboard)
O show de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl LX, marcado para o domingo (8), no Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia, é considerado um marco histórico por quebrar barreiras culturais e linguísticas sem precedentes no maior palco dos Estados Unidos.
Pela primeira vez na história da NFL, um artista latino estrelará o espetáculo como atração solo principal cantando totalmente em espanhol. O evento ganha ainda mais relevância pelo momento vivido pelo cantor, que acaba de vencer a categoria de Álbum do Ano no Grammy 2026 com “Debí Tirar Más Fotos”. Trata-se do primeiro disco em espanhol a conquistar o prêmio máximo da música mundial. Além disso, o porto-riquenho foi o artista mais ouvido do mundo no Spotify em 2025.
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Bad Bunny contra o ICE
A apresentação ocorre em um cenário de forte tensão política e social. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem adotado políticas rígidas contra imigrantes, incentivando ações d0 Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE).
Como forma de protesto, o artista porto-riquenho decidiu não incluir os Estados Unidos em sua turnê mundial, tornando o show do Super Bowl a sua única performance em solo americano. Há uma expectativa que o palco seja utilizado para enviar recados diretos ao governo, repetindo o tom de seu discurso no Grammy, onde o cantor dedicou sua vitória aos imigrantes que buscam seus sonhos fora de seus países de origem, além de criticar o ICE.
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Quais foram as reações com o anúncio de Bad Bunny no Super Bowl?
A escolha de Benito, nome de batismo do cantor, para o evento gerou reações mistas. Setores conservadores e alguns jogadores da NFL criticaram a decisão, alegando que a atração deveria ser um artista americano, desconsiderando que porto-riquenhos possuem cidadania dos Estados Unidos.
Por outro lado, a Roc Nation, produtora de Jay-Z, defendeu a contratação como um esforço estratégico para globalizar a audiência da liga. O impacto comercial reflete a grandiosidade do espetáculo, com anúncios de 30 segundos durante a transmissão alcançando valores recordes estimados entre US$ 7 milhões a US$ 8 milhões, segundo apuração da Bloomberg.

Identidade cultural de Bad Bunny: o manifesto de um povo
O álbum “Debí Tirar Más Fotos” funciona como uma carta de amor visceral a Porto Rico. O disco utiliza a música e a estética para preservar a memória da ilha.
A capa apresenta duas cadeiras de plástico simples em um quintal de bananeiras. Essa imagem remete ao cotidiano das famílias porto-riquenhas no interior e ao mesmo tempo é uma imagem facilmente identificada para diferentes países latinos.
“É como ela se falasse: ‘Somos latino-americanos, a gente não precisa ostentar e se espelhar nos americanos, na Europa. Nós temos nossos próprios símbolos e representatividade’. É uma capa forte, política e muito simples”, disse o músico e etnomusicólogo Meno Del Picchia.
Leia a análise completa sobre a capa de “Debí Tirar Más Fotos” aqui.
Outro símbolo recorrente na identidade visual do artista é o chapéu de palha do jíbaro, o camponês tradicional de Porto Rico, que ele utiliza para reafirmar a conexão com o trabalhador rural.
Musicalmente, o disco é um inventário de ritmos caribenhos que vão além do reggaeton. Bad Bunny incorporou gêneros como a plena e a bomba, sons de raízes africanas que historicamente serviram como ferramentas de protesto e comunicação nas comunidades escravizadas.
Na faixa “Café con Ron”, a colaboração com o grupo Los Pleneros de la Cresta destaca a percussão tradicional da ilha.
Já em “NUEVAYoL”, o sample de “Un Verano en Nueva York”, do grupo El Gran Combo de Puerto Rico, mostra uma salsa dos anos 1970, que é símbolo de orgulho e da presença da cultura latina em Nova York.
Os visualizers do álbum trazem textos do historiador Jorell Meléndez-Badillo detalhando episódios de repressão e a criação da bandeira porto-riquenha.
Essa narrativa visual e sonora é ampliada por referências históricas diretas. Em performances recentes, especialmente no tradicional programa Saturday Night Life, o cantor recriou a histórica fotografia de 1932 que mostra operários imigrantes sentados em uma viga de aço durante a construção do Rockefeller Center.
Ao colocar-se nessa posição, ele transforma a cultura pop em um instrumento político, lembrando ao público que a infraestrutura dos Estados Unidos foi erguida pelo suor daqueles que o governo atual tenta deportar.
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Como assistir o show de Bad Bunny no Super Bowl?
Além do show do intervalo, a cerimônia fica por conta de Green Day. Com transmissão confirmada no Brasil pela TV Globo, o show do Super Bowl promete ser mais do que entretenimento: será um ato de soberania cultural em horário nobre.
Ouça “Debí Tirar Más Fotos”, de Bad Bunny
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