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Aos 83 anos, Ney Matogrosso é o rock do Rock do Rio

Cantor foi a primeira atração a subir no palco do festival em 1985

Ney Matogrosso no Rock in Rio

Ney Matogrosso no Rock in Rio (Daniel Pinheiro/Brazil News)

Há quase 40 anos, Ney Matogrosso entrava (mais uma vez) para a história. Talvez ele não tivesse essa noção na época, mas o ex-Secos e Molhados marcou a trajetória da música ao subir no palco do Rock in Rio naquele 11 de janeiro de 1985. Afinal, ele foi o primeiro artista a se apresentar naquele projeto ousado, quase insano, que, quatro décadas depois, viria a se tornar o maior festival de música e entretenimento do planeta.

Se ele não tinha noção naquela época, os frequentadores do festival também não ajudaram. Os anos 1980 no Brasil foram selvagens, como bem sabemos. E motivada pelo “rock” que dá nome ao festival e por atrações que tocariam no mesmo dia, como Iron Maiden, Whitesnake e Queen em seus auges, parte do público, muito da mal educada, resolveu tacar ovos em Ney.

“Eram centenas de milhares de pessoas… Umas dez pessoas começaram a jogar ovos cozidos, com a casca. E eu chutava de volta em cima deles. Eu que não vou levar desaforo, né? Queria estar representando um pensamento dentro daquilo”, disse Ney em entrevista ao documentárioRock in Rio – A História”, do Globoplay.

Ainda bem que o tempo passa, os comportamentos mudam e as pessoas evoluem. Atração do Palco Sunset neste domingo (depois de também participar do Dia Brasil, no sábado, 21) que encerra a edição de 40 anos do festival carioca, o cantor provou carregar na alma o “rock” do Rock in Rio.

Com um show digno de headliner, exibindo forma física e vocal invejáveis aos 83 anos, Ney segue sendo um transgressor. Se hoje sua androginia já não incomoda tanto quanto na época da primeira edição do festival (ainda bem!), o cantor segue sendo um calaboca para os que apelam para o etarismo na hora de desmerecer certas atrações de festivais.

Com músicas como “Balada do Louco” e “Sangue Latino” (com direito à citação a “Satisfaction”, dos Rolling Stones, na guitarra), Ney prova que músicas e artistas “velhos” (entre muitas aspas, sim, por favor) não devem em nada para atrações mais jovens. E, ainda bem mais uma vez, acabou reverenciado pelo público, que aparentemente percebeu que o Rock in Rio sempre foi um festival de vários gêneros e que para ser rock’n’roll não é necessário esmerilhar nas guitarras e muito menos bater cabeça.

Ao encerrar seu set com “Pro Dia Nascer Feliz”, que também fez história no Rock in Rio I por marcar a abertura no Brasil após as trevas da ditadura, Ney fez feliz também quem realmente se importa com música boa de verdade e não só números e guerrinhas entre fandoms de cantoras pop.