Alice Caymmi lança ‘Gabriela’ e detalha álbum dedicado ao avô
Novo disco da cantora carioca, 'Caymmi' está previsto para abril

Em homenagem a Dorival, próximo disco de Alice Caymmi sai em abril. Crédito: Divulgação
Alice Caymmi lançou nesta sexta-feira (13) o primeiro single de seu novo projeto, o álbum “Caymmi“, dedicado inteiramente à obra de seu avô, Dorival. Como a primeira impressão é a que fica, ela escolheu “Modinha para Gabriela” para inaugurar o trabalho. Composta em 1975, a música ganhou uma roupagem jamaicana, com sabor de reggae e dancehall. O resultado é uma releitura contemporânea de uma obra que resiste ao tempo.
O projeto tem produção de Iuri Rio Branco, do selo Daluz Música, que já trabalhou com Liniker, Luedji Luna e Flora Mattos. Com faixas clássicas como “Suíte dos Pescadores”, “Dora” e “Acalanto”, o novo disco de Alice Caymmi deve chegar às plataformas digitais no início de abril.
Dorival na interpretação de Alice Caymmi
De Carmen Miranda a Gal Costa, o trabalho de Dorival Caymmi já foi cantado por grandes vozes femininas. Gravada por Gal para a trilha sonora da novela “Gabriela” (1985) da TV Globo, a canção obteve um grande êxito radiofônico. A obra foi feita por encomenda para a trama, originalmente inspirada no livro “Gabriela, Cravo e Canela” (1958) de Jorge Amado.
Alice Caymmi explica que encontrou em “Modinha para Gabriela” um tema atual, além de uma ideia de feminismo e de liberdade. Em conversa com a Billboard Brasil, a cantora carioca de 35 anos contou como encara o legado mítico do avô entre um gole de suco de groselha e outro: “costumo brincar que genética é feitiçaria”.
Por que “Modinha para Gabriela” foi escolhida como primeiro single? Tem alguma razão sentimental? Ou foi o resultado que você mais gostou depois de ir para o estúdio?
Conforme a gente foi produzindo e eu fui cantando, eu entendi o quanto essa letra é genial, porque ela é atual demais, ela realmente não envelheceu. Tem um viés feminista, de um feminismo que não se perdeu. E uma liberdade, um frescor e uma juventude. Eu falei: cara, é isso que eu quero para mim nesse momento, e é assim que eu estou me sentindo nesse momento.
A letra tem um quê de liberdade, né? “Eu nasci assim, eu cresci assim”…
Sabe, eu passei muitos anos da minha vida muito presa às minhas ideias e presa a uma ideia de arte. É como se eu fosse um Benjamin Button: muito novinha, eu tinha uma cabeça velha. E eu fui envelhecendo e fui ficando criança, sabe? Estou fazendo um processo invertido. E hoje eu tenho muito mais leveza. Aí eu falei: cara, além de ser uma produção muito forte dentro do disco, na minha opinião é uma das músicas mais bem produzidas do disco, com arranjos mais interessantes. É desafiador e diferente da versão original. Tem essa coisa da letra que é muito interessante, da personagem, que me encanta profundamente.
Na interpretação, é impossível não notar um grave característico do Dorival. Como é encontrar essa voz do seu avô dentro de você?
Acho que eu tenho um registro mais agudo e eu acabo saindo um pouco do estereótipo Caymmi, de voz muito grave. Boto os tons bem lá em cima, inclusive o tom de “Gabriela” está bem agudo. Mas é isso, é inevitável, entendeu? Eu costumo brincar que genética é feitiçaria. Eu tenho as mãos parecidas com as dele, tenho um braço parecido com o dele, tenho uma estrutura óssea no rosto parecida com a dele. É inevitável que a minha voz tenha, principalmente nos graves, uma relação muito forte.
“Gabriela” tem um reggaezinho ali da metade para frente. Queria entender o molho que você colocou no disco, o que você está escutando e passou como referência sonora neste trabalho…
Nos últimos anos da minha vida eu tenho tido uma relação afetiva muito forte com reggae e dancehall, com hip hop, R&B. Isso tem inundado o meu dia a dia e as minhas escolhas de ouvir música mesmo. E esses gêneros me influenciam muito. São gêneros que são muito naturais para o produtor que eu escolhi, que não foi à toa que eu escolhi, que é o Iuri Rio Branco. Ele faz muito bem tudo isso: não olha muito, não se censura muito, que é um dos segredos para você conseguir ter um processo criativo bom. E ele não tem essa reverência pelo Dorival, essa coisa perigosa que as pessoas costumam ter. O Iuri simplesmente mexe.
Fala um pouco mais sobre outras canções do repertório de “Caymmi”. Eu escutei “Dora”, “Dois de Fevereiro”, “Gabriela” e “Minha Jangada”.
A gente tem canções muito potentes, como “Adeus”, que é um bolero dele mais obscuro, mas que está com uma releitura muito linda. A gente tem “Acalanto” e também “O Que é que a Baiana tem?”, que ficou muito interessante. “Suíte dos Pescadores” virou uma salsa bem característica, superlegal também. Tem muita coisa. Repertório é o que não falta.
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