Guilherme Arantes comenta novo disco ‘Interdimensional’ faixa a faixa
Cantor e compositor revela detalhes do trabalho

Guilherme Arantes no Rio de Janeiro (Leo Aversa)
O cantor, compositor e pianista Guilherme Arantes lançou o disco “Interdimensional” nesta quinta-feira (15). Abaixo, o artista comenta as inspirações, parceiros e detalhes de cada uma das faixas do álbum. Veja a entrevista exclusiva à Billboard Brasil, abaixo.
1. “A Vida Vale a Pena” (Guilherme Arantes / Nelson Motta)
Ao ouvir em primeira mão “O Prazer de Viver para Mim É Você”, meu parceiro Nelson Motta reconheceu uma linhagem: aquela que conecta Chopin (1810–1849), Debussy (1862–1918) e Tom Jobim (1927–1994), tendo o período áureo do samba-canção e da bossa nova como matriz fundamental da minha formação, mesmo quando a música que eu fazia se aproxima de uma vertente mais pop. Ali se renovou o desejo de uma nova parceria nossa. Muitos clássicos do meu repertório nasceram dessa assinatura conjunta, em canções como “Coisas do Brasil”, “Marina no Ar” e “Era uma Vez um Verão”, entre outras.
A saudade de voltar a compor com Nelsinho me levou a caprichar ainda mais na feitura da canção, escrita em janeiro de 2025. Assim surgiu a faixa que abre este novo álbum: claramente chopiniana-jobiniana em sua simplicidade harmônica e cromática, e rapidamente assumida como um novo clássico da nossa parceria. Nelson entregou a letra em questão de dias. Ela traz um olhar retrospectivo sobre a vida, marcado por um “otimismo realista” e por uma visão madura do amor, na convicção profunda de uma plenitude agregadora de todas as contradições do viver e do sonhar romântico. Um romance menos idealizado e mais real. É uma balada clássica vestida com simplicidade em piano, violão e cordas, com destaque para o coro de inspiração gospel no verso “I believe in love”.
2. “No Mel dos Seus Olhos” (Guilherme Arantes)
As influências vão do pop oitentista de Billy Idol, Brian Ferry e dos suíços do Double à MPB dos anos 90, numa ode à revelação amorosa através do olhar. A curiosidade está num falso final que, aos 2 minutos e 20 segundos, separa a segunda parte do poema.
Em tons “caetanísticos” e “buarqueanos”, aflora ali o delírio da letra, que expõe o complexo desafio do cotidiano nas relações amorosas. A escolha é também uma provocação à lógica do mercado radiofônico, que impõe às canções uma duração estritamente funcional. A pausa funciona como uma tentação para que as rádios interrompam a execução, deixando o “papo cabeça” reservado aos ouvintes mais atentos. Uma brincadeira consciente de compositor. Destaques para o baixo de Milton Pellegrin e as guitarras de Alexandre Blanc.
3. “Minúcias” (Guilherme Arantes)
Esta canção nasceu de uma crescente angústia diante do olhar devassador com que o ambiente social, coletivo e digital atua. Ele acaba sendo, no dia a dia, um tribunal de constante e implacável julgamento sobre as escolhas individuais. A felicidade alheia, nesse tempo de vigilância opressora das redes, parece sempre convocar adjetivos, julgamentos e opiniões.
Uma (des)humanidade imagética que projeta e constrói tudo a partir do olhar: olhares, câmeras e telas transformados em instrumentos de engano, desencanto e condenação. Diante disso, o amor e as relações precisam resistir, seja aos olhares de desaprovação materializados em comentários e críticas, seja à inveja, seja ainda à admiração exagerada, que beira o desejo incontido e o aliciamento à traição. Destaque para o trombone de Marlon Sette, que pontua a melodia e inaugura a canção com uma introdução magistral.
4. “Libido da Alma” (Guilherme Arantes)
Traz um estilo híbrido de MPB com soul music brasileira que já visitei em canções bastante conhecidas como “Pedacinhos”, no início da década de 1980. Marca uma antiga afinidade com o estilo dos teclados de Lincoln Olivetti (1954–2015), dos arranjos de Biafra, Prêntice (1956–2005), Claudia Telles (1957–2020) e Banda Black Rio: uma linhagem nobre que soube misturar bossa nova com soul music.
Mais um destaque para o baixo de Milton Pellegrin. O tom do canto foi cuidadosamente trabalhado para soar ao pé do ouvido, inspirado na escola de João Gilberto (1931–2019) e na delicada emissão que ele ensinou ao mundo. Um aprendizado cuidadoso, uma aventura nova como intérprete.
5. “Intergaláctica: Missão” (Guilherme Arantes)
Balada pop clássica de viés cósmico-filosófico, a canção é uma declaração explícita de amor que se expande até se tornar um diálogo com a Instância Máxima da Criação. Iluminado por uma nova visão do Cosmos, possibilitada por instrumentos recentes e avanços espetaculares da pesquisa científica, o Universo se revela em grandeza e complexidade ampliadas ao olhar fascinado da humanidade.
As dimensões e distâncias inalcançáveis do espaço-tempo passam a expressar, cada vez mais, a pequenez humana. Ainda assim, há uma esperança filosófica no ponto em que Ciência e Espiritualidade convergem. Destaque ao baixo de Willy Verdaguer e à bateria de Gabriel Martini.
6. “Enredo de Romance” (Guilherme Arantes)
Embora meu nome tenha sido muitas vezes associado à década de 1980, minhas raízes estão mais profundamente fincadas nos anos 1970. Dentro deste novo álbum, a vertente pop setentista se manifesta em “Enredo de Romance”, faixa de sonoridade vintage que combina influências de Steely Dan, Doobie Brothers, Rita Lee (1947–2023) e A Cor do Som.
A gravação se apoia numa levada guiada por piano elétrico Wurlitzer e guitarras retrô, com destaque para o solo de Luiz Sérgio Carlini, guitarrista do Tutti-Frutti. O resultado é um pop brasileiro ensolarado, colorido de verão e repleto de percussão.
7. “O Prazer de Viver para Mim É Você” (Guilherme Arantes)
Composta para Claudette Soares a partir de um convite de Marcus Preto, a canção visita um gênero clássico da canção brasileira que eu ainda não havia explorado como compositor. Tornou-se um portal criativo, abrindo a janela para um universo mágico de sonho e brasilidade moderna.
A gravação deste álbum marca o reencontro com meu piano Steinway no estúdio de Avila. A faixa foi remixada por Sylvia Massy para manter unidade sonora com o álbum. O arranjo e a regência são de Jacques Morelenbaum, com gravação nos estúdios Biscoito Fino, no Rio de Janeiro (RJ).
8. “Luar de Prata” (Guilherme Arantes)
Uma valsa brasileira clássica dentro da tradição do piano brasileiro de Ernesto Nazareth (1863–1934). A melodia traz influências de Pixinguinha, Taiguara, Francis Hime e Chico Buarque, abordando a passagem do tempo sob o olhar da maturidade.
Com arranjo em piano, cravo Zuckermann e cordas, conta com a participação especial de Mônica Salmaso e as flautas de Teco Cardoso.
9. “Sob o Sol” (Guilherme Arantes)
A faixa mais roqueira do repertório, seguindo uma estética presente em álbuns como “Condição Humana” (2013) e “A Desordem dos Templários” (2021), com referências a Led Zeppelin, Jethro Tull, Rush e Peter Gabriel em fase solo.
Luiz Sérgio Carlini, Willy Verdaguer e Gabriel Martini conferem o aspecto de band rock à faixa.
10. “O Espelho” (Guilherme Arantes)
A canção parte da figura humana diante do espelho e do envelhecimento. Musicalmente, trata-se de um eletropop clássico, com influência de Dave Stewart e Vince Clarke.
Participam Gabriel Martini (bateria) e o guitarrista Scott Ackley, radicado em Nova Friburgo (RJ). Sua presença resgata um elo histórico com gravações como “Deixa Chover” e “Planeta Água”.
11. “Puro Sangue (Libelo do Perdão)” (Guilherme Arantes)
Única faixa em ritmo 6/8 do álbum, é uma versão pessoal de uma composição escrita para Gal Costa e lançada em 2016 no álbum “A Pele do Futuro”. A letra aborda a intolerância de costumes em tempos de radicalização cultural.
Destaques para o violoncelo de Mario Manga e o cravo Zuckermann.
12. “Toda Felicidade” (Guilherme Arantes)
Lançada originalmente no álbum “Rasgamundo” (2024), do Boca Livre, esta versão traz contrabaixo acústico e bateria com vassourinhas, criando um tom jazzístico de MPB.
A guitarra de Alexandre Blanc remete à sonoridade de Barney Kessel.
13. “50 Anos-Luz” (Guilherme Arantes)
Faixa instrumental de caráter épico e progressivo, com influências de Heitor Villa-Lobos e rock progressivo. Marca o espírito de brasilidade que permeia todo o álbum, inclusive na dimensão visual, inspirada na azulejaria brasileira moderna.
14. “Berceuse” (Guilherme Arantes)
Canção de ninar composta em 2021 para Alaíde Costa e lançada no álbum “O Que Meus Calos Dizem Sobre Mim” (2022). Nesta versão, ganha arranjo para piano e cordas escrito e regido por Jacques Morelenbaum, com influências de Gabriel Fauré e referência a “Água e Vinho”, de Egberto Gismonti.
15. “O Prazer de Viver para Mim É Você” – instrumental (Guilherme Arantes)
Encerrando o álbum, a versão instrumental assume caráter cinematográfico, privilegiando o tempo e a atmosfera contemplativa. Uma epifania final de amor e devaneio, inspirada no cinema de arte europeu.
Veja entrevista com Guilherme Arantes
Veja agenda da Turnê “50 Anos-Luz”, de Guilherme Arantes
Ingressos: www.50anosluz.com
07/03/26 – São Paulo (SP) – Espaço Unimed
14/03/26 – Rio de Janeiro (RJ) – Vivo Rio
21/03/26 – Curitiba (PR) – Teatro Positivo
11/04/26 – Recife (PE) – Teatro Guararapes
18/04/26 – Belo Horizonte (MG) – Minascentro
25/04/26 – Porto Alegre (RS) – Araújo Vianna
09/05/26 – Ribeirão Preto (SP) – Multiplan Hall
15/05/26 – Belém (PA) – Assembleia Paraense
16/05/26 – Manaus (AM) – Studio 5
22/05/26 – Vitória (ES) – Espaço Patrick Ribeiro
23/05/26 – Brasília (DF) – Centro de Convenções Ulysses Guimarães
30/05/26 – Santos (SP) – Convention Center
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