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Jimi Hendrix vive: guitarristas explicam o legado do gênio

Convocamos um time peso pesado para explica a força de Jimi Hendrix

Jimi Hendrix (Instagram)

Jimi Hendrix (Instagram)

Qual é a importância de se manter viva a memória sobre um gênio que mudou o  patamar de alguma atividade?

Por exemplo: não se pode falar de futebol sem falar de Pelé, o brasileiro mais famoso do mundo. No entanto, em tempos de vídeos rápidos e atenção fragmentada por telas, há jovens que simplesmente não sabem das proezas do “rei”. Afinal, é o Cristiano Ronaldo e o Messi que estão no videogame. Esse efeito “esquecimento digital” se estende por outros ídolos e mestres de suas artes.

Por isso, a Billboard Brasil convidou um time peso pesado de músicos para falar do legado e da importância de James Marshall Hendrix ou simplesmente Jimi Hendrix, que completaria 83 anos neste dia 28 de novembro.

Hendrix  é um dos artistas determinantes para a cultura pop do século 20. A guitarra elétrica se divide entre antes e depois do cantor, instrumentista e compositor de ascendência afro-americana e indígena (com raízes cheroqui).

O violeiro e produtor Ricardo Vignini definiu bem a importância de Hendrix para quem toca o instrumento: “Se você vai tocar piano, conheça Chopin. Se você vai tocar violino, estude Paganini. Se vai tocar guitarra, com certeza você tem que conhecer Jimi Hendrix para aprender a técnica do instrumento.”

Jimi Hendrix

A trajetória da guitarra flamejante de Jimi Hendrix

Antes de brilhar em carreira solo, o ex-paraquedista do exército norte-americano rodou os Estados Unidos como sideman de nomes como Little Richard, B.B King, The Isley Brothers, Ike & Tina Turner e King Curtis

Foi nesse período que desenvolveu sua presença de palco incendiária e o senso de espetáculo que logo se tornariam sua marca registrada. Além definir o seu caldeirão de influências musicais que passam pelo blues, R&B, gospel e música tradicional americana.

Em setembro de 1966, Jimi Hendrix viajou para Londres e mudou sua vida.  Seu empresário Chas Chandler o levou para a Europa depois de encontrá-lo tocando em Nova York e perceber seu grande talento. Londres era o centro da cena do rock e Chandler acreditava que a cidade era o lugar ideal para Hendrix se desenvolver e formar a banda que seria a The Jimi Hendrix Experience com Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchell (bateria).

A partir dali, Hendrix lançou uma sequência histórica de discos: “Are You Experienced?” (1967), “Axis: Bold as Love” (1967) e “Electric Ladyland” (1968). Cada álbum ampliou as fronteiras do rock psicodélico, do blues e da produção de estúdio.

Após o fim do Experience, Jimi Hendrix decidiu criar um novo projeto. Assim nasceu a Band of Gypsys, em 1969. Hendrix chamou para a banda o baixista Billy Cox, amigo dos tempos do exército, e o baterista Buddy Miles, que trouxe forte influência de soul e funk.

Em quatro shows no Fillmore East, gravaram o álbum “Band of Gypsys”, marcado pela performance histórica de “Machine Gun”. O grupo durou pouco devido a pressões pessoais e empresariais, mas deixou um legado decisivo para o funk rock.

Hendrix também transformou o som da guitarra ao elevar efeitos ao nível de linguagem artística. Tornou célebres pedais como o Fuzz Face, o wah-wah Cry Baby e o Univibe, além do Octavia, desenvolvido especialmente para ele por Roger Mayer, que criou seu famoso timbre com harmônicos duplicados. 

As performances  de Hendrix viraram lenda: a guitarra incendiada em Monterey (1967), o hino americano reimaginado em Woodstock (1969) e a energia de Isle of Wight (1970) são momentos eternizados na cultura pop. Hendrix criava paisagens sonoras.

Mesmo descoberto por fragmentos de vídeos virais, Hendrix continua irresistível, um artista que fez a guitarra falar, gritar e sonhar, e cujo impacto ainda vibra em cada nova geração.

No menu abaixo, veja depoimentos e vídeos com grandes guitarristas interpretando Jimi Hendrix

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Artur Menezes
Artur Menezes (Instagram)

O guitarrista, cantor e compositor cearense Artur Menezes é um dos maiores expoentes do blues no mundo. Entre os muitos feitos de sua carreira, ele participou da Experience Hendrix Tour, uma turnê oficial realizada periodicamente nos Estados Unidos para celebrar a obra de Jimi Hendrix.

O evento reúne grandes guitarristas como Buddy Guy, Billy Cox, Zakk Wylde, Kenny Wayne Shepherd, Jonny Lang,  Dweezil Zappa, entre outros, interpretando ao vivo o repertório de Hendrix em formato de superjam.

O evento é produzido pela Experience Hendrix L.L.C., empresa administrada pela família de Jimi Hendrix, liderada por Janie, irmã do artista. A proposta é manter viva a música, a estética e o legado do guitarrista por meio de performances colaborativas e tributos de alto nível.

Ao relembrar sua relação com a música de Jimi Hendrix, Artur conta que sua conexão começou indiretamente, por meio do blueseiro Stevie Ray Vaughan, outro ícone da guitarra que tinha o som diretamente influenciado por Hendrix. 

Jimi Hendrix

Artur explica que conheceu primeiro o trabalho de Vaughan e, por influência dele, mergulhou na obra de Hendrix. A primeira experiência profunda foi ao assistir, ainda em fita VHS, a performance histórica de Hendrix em Woodstock. Esse momento o deixou fascinado e o levou a comprar seu primeiro disco do guitarrista, o álbum BBC Sessions, com versões ao vivo.

Desde a adolescência, por volta dos 12 ou 13 anos, ele começou a incluir músicas de Hendrix em seu repertório. Já tocando profissionalmente entre os 14 e 16 anos, passou a estudar mais a fundo as composições e performances.

Após morar em Chicago, retornou ao Brasil e formou sua banda solo, iniciando também shows temáticos dedicados à obra de Hendrix. Nesse período, seu interesse passou do fraseado musical para os aspectos estéticos e sonoros, especialmente o uso do pedal Fuzz Face, que se tornou parte essencial de sua identidade musical.

Ele descreve que a psicodelia, as texturas, a ambiência e a improvisação presentes na obra de Hendrix influenciaram profundamente sua maneira de tocar e criar, moldando seu estilo reconhecido hoje mundialmente na comunidade de guitarristas.

“Hendrix está no meu jeito de expressar  psicodelia,  ambiência,  textura. Essa coisa mais improvisada que ele é mestre está cada vez mais ingressa no meu som.”

Artur Menezes - Power Of Soul (Jimi Hendrix Cover)

O guitarrista Andreas Kisser em ação pelo Sepultura (@oldriff)
O guitarrista Andreas Kisser em ação pelo Sepultura (@oldriff)

O guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser , destaca Jimi Hendrix como um músico revolucionário que transformou elementos antes considerados defeitos da guitarra, como distorção, feedback, desafinação e ruídos, em parte essencial de sua expressão artística.

“A guitarra é um símbolo de liberdade e rock and roll por causa do Jimi Hendrix.”

Para Andreas, Hendrix incorporou o caos sonoro da época, marcado por drogas, liberdade e profundas mudanças culturais, e o traduzia de forma única por meio do instrumento.

Jimi Hendrix

Sua ousadia técnica e estética abriu caminho para que outros guitarristas explorassem a liberdade total no instrumento, sem medo de barulho ou imperfeição.

“Hoje, em tempo de inteligência artificial, o Hendrix se destaca ainda mais porque ele é uma expressão pura. Muita honestidade.”

Andreas Kisser, Du Moreira e Loco Sosa - Hendrix 70

André Christovam
André Christovam (Reprodução YouTube)

“A primeira vez que ouvi Hendrix, eu achei um horror. Um pop de péssimo gosto”, disse André Cristovam

O bluseiro André Christovam explica que demorou a gostar de Jimi Hendrix. Mesmo depois de começar a admirar o trabalho de Hendrix, ele julgava que aquele som não era sua praia. 

Até que um dia na casa de Roberto Carvalho e Rita Lee, ele ouviu o disco “Electric Ladyland” e ouviu melhor o ritmo de Hendrix e como aquele som ficava grande na mão do ex-paraquedista.

“Eu recusei o solista. Mas depois eu entendi o compositor Jimi Hendrix que na minha opinião é mais importante que o guitarrista. Quando essa ficha caiu, ele afetou meu som e minha forma de expressar totalmente”.

Expressão de Hendrix

André aponta que a canção “Little Wing”, do àlbum ao vivo “Hendrix in the West”,  “Spanish Castle Magic”, de estúdio, e o “Have You Ever Been”  do disco Electric Lady Land”, definem a genialidade de Hendrix.

“Hendrix foi para a guitarra o que o Van Gogh foi para a pintura”

Bruno Kayapy do Macaco Bong (I Hate Flash)
Bruno Kayapy do Macaco Bong (I Hate Flash)

Bruno Kayapy explica que Hendrix não é tão celebrado quanto deveria no cenário atual do rock e da guitarra. Em parte porque, ainda hoje, o gênero continua sendo um espaço hostil para artistas jovens e pretos como ele.

“Ser um artista jovem e preto no mundo do rock como Jimi Hendrix segue sendo até hoje um terreno extremamente hostil.”

O guitarrista destaca que a atitude, a história e o legado de Hendrix oferecem respostas importantes para questionamentos contemporâneos, especialmente no aspecto humano da arte.

Ele lamenta a curta vida do músico, cuja imagem se tornou tão gigantesca que ainda serve como referência criativa para guitarristas que buscam inovar ou romper bloqueios: muitos se perguntam o que Hendrix faria em determinada situação.

Jimi Hendrix

Kayapy afirma que, sem Hendrix, a história da guitarra elétrica e da música popular seria totalmente diferente. Ele credita ao guitarrista a inserção de cor, paixão, psicodelia e subversão no rock, além de um estilo tão marcante que criou uma verdadeira marca sonora.

O guitarrista cuiabano exalta a singularidade do músico norte-americano e brinca com o trocadilho do nome James Marshall Hendrix e o famoso amplificador Marshall. A junção  do “som perfeito”: a guitarra Stratocaster de Hendrix plugada em um amplificador Marshall.

“Jimi Hendrix trouxe cor, paixão, amor, subversão e psicodelia para o rock.”

Ricardo Vignini, Bruno Kayapy e Gabriel Guedes tocam ' Burning of the Midnight Lamp'

Charles Gama no Black Pantera (@charlespanterablack)
Charles Gama no Black Pantera (@charlespanterablack)

Vocalista e guitarrista do Black Pantera,  Charles Gama explica que o contato com Jimi Hendrix começou ainda na infância. Primeiro pelas imagens: fotos em casa e numa loja de discos em Uberaba (MG) despertaram a curiosidade antes mesmo de ouvir sua música. 

O primeiro impacto real veio ao assistir ao show de Woodstock em VHS, experiência que mudou completamente sua percepção sobre guitarra, performance e expressão artística.

Na época, era difícil encontrar discos e gravações, por isso o vídeo teve um papel decisivo na formação musical e emocional.

Jimi Hendrix

Charles cita Hendrix como uma das primeiras referências pretas ao lado de James Brown e Michael Jackson, formando uma base essencial na sua identidade artística. 

“Hendrix era simplesmente um deus da guitarra, um homem preto que passou por todas as provações dos anos 60 e 70.”

Para o guitarrista do Black Pantera, Hendrix segue inspirando novas gerações e representa “liberdade, alma e total conexão com o instrumento”.

Cláudio Venturini, do 14 Bis (Instagram)
Cláudio Venturini, do 14 Bis (Instagram)

 

Cláudio Venturini relembra seu primeiro contato com Jimi Hendrix ao assistir ao filme Woodstock clandestinamente aos 12 anos.

“No final do filme, ele executa um blues improvisado absolutamente maravilhoso. Aquilo me impactou de tal maneira que, ao chegar em casa, tentei reproduzir tudo de ouvido, mesmo tendo escutado apenas uma vez. A guitarra de Hendrix realmente mudou o rock’n’roll.”

 Venturini destaca como Hendrix revolucionou o rock’n’roll ao unir as raízes profundas do blues americano com uma evolução harmônica sofisticada, tocando power chords e uma forma única de improvisar.

Jimi Hendrix

Ele ressalta também o cuidado de Hendrix com o som: o uso marcante de efeitos como wah-wah e delays, sua constante prática de registrar ideias em gravadores e a parceria com o engenheiro Eddie Kramer, cujas produções resultaram em gravações históricas como “Castles Made of Sand, a releitura de Bob Dylan em “All Along the Watchtower” e “Little Wing.

“Hendrix misturava violões, guitarras de 12 cordas e diversas camadas em seus arranjos, ampliando as possibilidades do instrumento. Não há como negar: ele reafirmou e redefiniu o papel da guitarra na música.”

Edgard Scandurra (Divulgação/Diego Baravelli)
Edgard Scandurra (Divulgação/Diego Baravelli)

Edgard Scandurra conta que descobriu Jimi Hendrix ainda criança, graças ao irmão mais velho. Aos sete anos, ele comprou um disco do guitarrista para dar de presente. As capas psicodélicas despertaram curiosidade.

Hendrix

O impacto maior veio ao ouvir o vinil: Hendrix se diferenciava de todas as outras bandas porque transformava a música em uma experiência sensorial completa, com efeitos e nuances.  Essa estética marcou para sempre sua relação com a música.

Mesmo passando por fases como o punk rock, a influência de Hendrix permaneceu como uma força. A identificação aumentou quando percebeu que ambos são canhotos. Isso criou uma espécie de orgulho juvenil sempre que alguém associava seu jeito de tocar ao do ícone.

“O Hendrix transformava tudo numa experiência sensorial, quase uma alquimia.”

Hendrix também marcou a família: sua morte foi tão impactante que até a mãe de Scandurra, que não era fã de rock, chorou ao perceber o quanto ele significava para os filhos.

“Hendrix deixou em mim uma influência invisível que nunca perdeu força. Por três ou quatro anos, ele fez coisas que até hoje os guitarristas buscam fazer.”

Edgard Scandurra

Kiko Loureiro (site oficial)
Kiko Loureiro (site oficial)

Kiko Loureiro destaca que a grandiosidade de Jimi Hendrix não está apenas na revolução musical que ele trouxe para a guitarra, mas no conjunto entre técnica, estética sonora, atitude e contexto sociopolítico.

O fundador do Angra explica que o Hendrix transformou a forma de tocar e de usar o equipamento, criando timbres e efeitos inéditos que redefiniram o instrumento.

Hendrix

Ao mesmo tempo, a atuação artística de Hendrix estava profundamente ligada ao momento histórico, como quando tocou o hino americano em Woodstock como protesto contra a Guerra do Vietnã. Essa mistura entre expressão musical, engajamento e presença de palco fez de Hendrix um ícone capaz de influenciar gerações inteiras.

“O Jimi Hendrix é a personificação da guitarra. É transformar um objeto inanimado em uma pessoa. Ele simboliza a guitarra e a atitude”

Kiko lembra que, embora tenha começado a tocar guitarra muitos anos depois do auge de Hendrix, ele cresceu ouvindo que era obrigatório conhecer sua obra. Mesmo em uma época em que guitarristas técnicos e virtuosísticos dominavam a cena, Hendrix seguia como referência essencial.

“Todos os guitarristas que me influenciaram, direta ou indiretamente, foram marcados pela revolução que Hendrix introduziu.”

Kiko Loureiro trio

Lucinha Turnbull (Divulgação Itaú Cultural/ Murilo Alvesso)
Lucia Turnbull (Divulgação Itaú Cultural/ Murilo Alvesso)

Lucia Turnbull recorda a primeira vez em que viu Jimi Hendrix na tela, quando entrou adiantada para assistir Woodstock no antigo cinema do Conjunto Nacional, em São Paulo.  Ao se deparar com a cena final do filme, ela se impressionou profundamente com a imagem de Hendrix em um estado de calma e concentração, uma presença que descreve como “muito linda”.

“Você sentia a voz humana gritando na guitarra de Jimi Hendrix.”

A guitarrista ressalta sua admiração pela liberdade com que Hendrix tocava e pela maneira singular com que ele transformava a guitarra em voz humana e instrumento de protesto, especialmente ao interpretar o hino americano como crítica à Guerra do Vietnã.

Guitarra metralhadora de Hendrix

Para Lucia, ninguém antes tinha explorado o instrumento daquela forma, com tamanha originalidade, sensibilidade e domínio de efeitos.

Ela destaca que Hendrix possuía uma linguagem única, compreensível e emocional, e afirma ser apaixonada pelos timbres e pela “alta sensibilidade” dele.

“Eu preciso dizer para os guitarristas ouvirem Jimi Hendrix, se inspirarem pela liberdade dele e pelo amor à música. É para eternidade. Jimi Hendrix para todos nós.”

Luiz Cariini (Ativa Cinema Digital)
Luiz Cariini (Ativa Cinema Digital)

Luíz Carlini  relembra que conheceu Jimi Hendrix ainda na adolescência, quando seu vizinho e amigo Sérgio Dias, guitarrista dos Mutantes, comentou sobre “um cara novo” que estava surgindo. 

Na época, Carlini e os amigos tinham como referências Beatles e Rolling Stones, e Hendrix apareceu como algo completamente diferente. 

“Fiquei muito impressionado com o Hendrix. Era completamente diferente de tudo que a gente tinha na época: o uso de alavanca para imitar aviões e bombas, o visual moderno, a performance foda”, diz Carlini.

Antes mesmo de ouvir sua música, a descrição física e o estilo chamaram atenção, especialmente por lembrar Boraló, um guitarrista do bairro com roupas coloridas e cabelo black power que ensinou vários jovens da Pompeia  a tocar.

Quando finalmente escutou Hendrix, Carlini ficou profundamente impressionado: o som era moderno, ousado e distante de tudo o que existia no rock da época. 

Jimi Hendrix Ele recorda o primeiro disco que comprou, Smash Hits, e a forte impressão deixada ao vê-lo tocar no filme de Woodstock, mesmo em um show ocorrido no fim do festival, diante de poucas pessoas.

Para Carlini, Hendrix permanece como uma referência absoluta: um guitarrista incomparável, cuja estética, presença de palco e criatividade redefiniram o rock e deixaram um legado insuperável.

“Sempre gostei do Hendrix também porque ele sempre foi um cara muito bem vestido. O visual dele era foda.”

Luiz Carlini, Marcio Tucunduva, Marcos Ottaviano e Carlos Pontual em "Little Wing"

Mônica Agena conta que conheceu Jimi Hendrix enquanto aprendia guitarra e que sua primeira grande impressão veio ao ouvir a introdução de “Little Wing”. Naquele momento, ela percebeu que a guitarra podia “falar”.

A partir desse impacto inicial, passou a explorar a obra dele. “Não é uma discografia extensa, mas é profundamente marcante e disruptiva”, conta.

Ela afirma que Hendrix não influenciou seu estilo diretamente, mas sua expressividade ao vivo sempre a fascinou: a sensação de que ele travava uma dança primal com o instrumento, ao mesmo tempo em que tinha controle absoluto dos ruídos e texturas.

“Jimi Hendrix dança com a guitarra, mas tem total controle sobre todos aqueles ruídos, e eu acho isso muito lindo.”

Para Mônica, Hendrix permanece um influenciador eterno, atravessando gerações porque ninguém conseguiu reunir tanta personalidade na guitarra.

Assim como Michael Jackson no pop, Hendrix é uma referência absoluta no instrumento. Mesmo quando não influencia diretamente, transforma qualquer guitarrista que entra em contato com sua obra.

Ela destaca que novos ídolos, como John Mayer e John Frusciante, carregam a sua linguagem e que qualquer amante da guitarra inevitavelmente chega a Hendrix ao estudar efeitos, pedais e história do instrumento.

“Ele é eterno porque até hoje não existe um guitarrista com tanta personalidade.”

Natiruts e Mônica Agena tocam ' Purple Haze'de Jimi Hendrix

Monica Agena e Champignon tocam 'Foxy Lady'

Rayane Fortes (Natalia Marques)
Rayane Fortes (Natalia Marques)

A cantora, compositora e guitarrista Rayane Fortes valoriza o legado de Jimi Hendrix para além da música.

“Hendrix foi um dos primeiros a revolucionar a guitarra como um instrumento que explora texturas para além das notas musicais.”

Ela destaca o uso de microfonias, amplificadores no limite, válvulas quentes e até falantes danificados como elementos que moldaram uma sonoridade única, hoje amada e usada por guitarristas do mundo inteiro.

As performances ousadas, como tocar com os dentes ou atrás da cabeça, também ajudaram a quebrar padrões e abrir caminhos. Para Rayane, sem Hendrix não existiriam artistas como Stevie Ray Vaughan, Prince, John Mayer e milhares de guitarristas influenciados direta ou indiretamente por ele. Ela mesma se reconhece como parte desse legado.

Guitarra flamenjante de Jimi Hendrix

Rayane conta que já ouvia outros guitarristas antes, mas ao ouvir Hendrix pela primeira vez percebeu como a conexão entre ele e seus ídolos era profunda. Reconheceu traços dessa linguagem também na própria maneira de tocar, uma identidade em constante transformação.

Para a guitarrista, Hendrix comprova que a arte não morre: sua bagagem é revivida geração após geração. Isso a inspira a construir sua própria história musical, na esperança de também deixar um legado que possa ser tocado e recontado no futuro.

Rayane Forte toca "Voodoo Child (Slight Return)" de Jimi Hendrix

Ricardo Vignini (Divulgação)
Ricardo Vignini (Divulgação)

Ricardo Vignini é um violeiro,  guitarrista e produtor paulista conhecido por unir música caipira, folk e rock, especialmente por meio da viola.  Ele integra os grupos Matuto Moderno e Moda de Rock e é referência na renovação da viola brasileira.

Vignini explica que  Hendrix representou uma divisão histórica na guitarra, mudando para sempre a técnica, a expressão e o comportamento do instrumento. 

Se você vai tocar piano, conheça Chopin. Se você vai tocar violino, estude Paganini. Se vai tocar guitarra, com certeza você tem que conhecer Jimi Hendrix para aprender a técnica do instrumento.”

Ele conta que o álbum Electric Ladyland foi o que mais impactou sua vida, abrindo sua mente para novas possibilidades sonoras e influenciando diretamente sua trajetória artística, inclusive em gravações recentes.

Expressão de Hendrix

Vignini também destaca uma identificação pessoal com Hendrix por ambos serem canhotos, reforçando o quanto essa conexão simbólica marcou seu desenvolvimento musical.

Ricardo Vignini, Bruno Kayapy e Gabriel Guedes tocam ' Burning of the Midnight Lamp'

Rodrigo Suricato (Brazil News)
Rodrigo Suricato (Brazil News)

Antes da banda Suricato e de ser a voz do Barão Vermelho, Rodrigo Suricato empunhava sua guitarra tocando para astros como Paulinho Moska e ganhou  prêmios como “melhor guitarrista brasileiro” no concurso “Gibson Contest”. 

No entanto, a guitarra é um grande amor que Rodrigo se expressa, mas não o fim. Em seu Instagram, ele reflete sobre a importância da originalidade e da personalidade na música, tal qual Hendrix ensinava tocando como na introdução percussiva e cheia de presença de “Little Wing”.

“Muito se fala da guitarra do Hendrix, mas ele foi um raro caso de uma artista multidimensional com excelência em tudo que fazia. A música se misturava em perfeição à performance, atenção estética e teatralidade numa maneira absolutamente única de tocar. Ele não era somente a encarnação humana de uma guitarra mas uma faculdade de belas artes em cena. Uma experiência audiovisual. Muito além da guitarra e do seu tempo.”

Rodrigo Suricato interpreta “Eu e Você Sempre”, de Jorge Aragão com influências de Jimi Hendrix

Sérgio Hinds, de O Terço (Instagram)
Sérgio Hinds, de O Terço (Instagram)

Sérgio Hinds defende que Hendrix carimbou seu nome na história da guitarra pela sua maneira de tocar singular e criativa, mas também por suas composições, características vocais e performance nas suas apresentações. 

“Hendrix é um artista completo com uma personalidade diferente e marcante. Esse conjunto de qualidades fizeram a diferença e o levaram ao topo na lista dos guitarristas mais endeusados da história do rock.Também não podemos esquecer a escolha dos timbres e efeitos que ele tirava de sua fender stratocaster.”

Hendrix põe fogo na guitarra

O argentino Victor Biglione descreve Jimi Hendrix como algo sempre emocionante. Ele destaca que sua obra permanece atual e influente até para jovens das novas gerações.

Jimi Hendrix

Victor relembra que conheceu Hendrix em 1967 por influência de sua mãe, uma mulher moderna, ligada à contracultura e profundamente musical. O disco “Smash Hits” mudou sua vida e o marcou para sempre.

“Hendrix poderia ter ido à Guerra do Vietnã, mas permaneceu na música e transformou toda sua vivência no blues, R&B e soul em uma obra curta, porém gigantesca em impacto.”

 Ele destaca a apresentação histórica de Hendrix em Woodstock, quando o guitarrista reinterpretou o hino americano com distorções que simulavam bombas como crítica à guerra.

“Jimi Hendrix continua atual, eterno e comentado, inclusive pelas novas gerações.”

Segundo Biglione, Hendrix não era circense nem performático por truque, mas profundo, criativo e calcado no melhor da cultura do século 20. Ele afirma que continua ouvindo e homenageando Hendrix, inclusive tendo gravado arranjos inspirados no guitarrista. Biglione conta também que tem permissão direta da família de Hendrix para fazer releituras, algo que considera uma grande alegria.

Hendrix por Victor Biglione

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