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Diego Timbó fala sobre identidade vocal, cinema e o legado de Preta Gil

Diego Timbó no Cabos e Cases (Reprodução/YouTube)

Diego Timbó no Cabos e Cases (Reprodução/YouTube)

Cantor, compositor, diretor musical, produtor e preparador vocal, Diego Timbó carrega tantos crachás que prefere se definir como um artista em constante movimento. No novo episódio do podcast Cabos e Cases, gravado durante o Influente Summit, ele compartilhou sua trajetória, da formação como produtor vocal à composição de hits do pop brasileiro, passando pelo cinema e pela relação transformadora com Preta Gil.

“Produtor vocal é quem dirige o artista dentro do estúdio para encontrar a melhor versão para aquela canção. É técnica, mas também é mercado e identidade”, explica Timbó, diferenciando sua função do trabalho mais conhecido de preparador vocal. “Quando você escuta um artista no rádio e reconhece de imediato quem está cantando, isso é identidade. É isso que sustenta uma carreira.”

Essa busca pela identidade levou Timbó a encontros que mudaram sua vida. E nenhum deles foi tão marcante quanto sua parceria com Preta Gil. “Ela me abriu como fez na vida de tanta gente. Preta era uma ponte, sempre de amor, e me apresentou a artistas incríveis como a Pabllo Vittar, com quem trabalho até hoje”, conta. Entre risos, lembra que seu método – que envolve exercícios físicos, saltos e até flexões em estúdio – assustou a cantora no primeiro contato. Pouco depois, no entanto, os dois já estavam conectados por uma amizade e parceria profissional que se estenderia por anos.

Além da música, Timbó também encontrou espaço no cinema, criando trilhas sonoras para produções brasileiras. Ele conta que o processo é uma mistura de técnica e intuição: observar o ritmo do diálogo dos atores, respeitar os silêncios e criar a moldura certa para cada cena. “É um lugar de muito respeito. A trilha precisa ajudar a contar a história, nunca competir com ela.”

Nascido no sertão do Ceará em uma comunidade religiosa católica, filho de missionários, Timbó cresceu em meio a regras rígidas — inclusive a proibição de assistir televisão. Assumir sua identidade artística e pessoal, sendo gay em um ambiente dogmático, foi um processo de enfrentamento e autodescoberta. “A gente amadurece, abraça as nossas dores e segue”, resume.

Hoje, como compositor, Timbó se define mais melódico que letrista e vê a composição como uma extensão da pesquisa pela identidade de cada artista. “Pergunto o que a mãe desse cantor ouvia quando ele era criança. Essas memórias influenciam o ouvido, ajudam a formar a marca musical.”

Para quem sonha em entrar no mercado de trilhas ou produção, ele é direto: “Se você não tiver certeza absoluta, procure outra coisa. É uma batalha que exige resiliência total”. Mas deixa também um incentivo: estudar, refazer trilhas de filmes, colaborar com outros profissionais e se aproximar de produções independentes são caminhos possíveis.

Com um currículo que atravessa palcos, estúdios e telas, Diego Timbó se firma como um dos nomes mais inquietos e múltiplos da música brasileira atual. E, como ele próprio destaca, leva consigo uma lição definitiva: “Sejamos Preta Gil.”