‘Na sola do six’: O DJ que levou o meme ‘six seven’ pras quadrilhas juninas
'É na sola do six, é na palma do seven' viralizou e ganhou os arraiás do Brasil

Quadrilha tradicional de Festa Junina (Ag. Brasil)
As quadrilhas escolares ganharam novas trilhas sonoras em 2026: faixas virais que misturam funk, brega, MTG e memes de internet com festa junina. Entre elas estão “É na sola do six, é na palma do seven (Passinho do Jamal)” e “Passinho do Arraiá (Jamal)”, que passaram a embalar vídeos de alunos dançando de camisa xadrez, vestido de chita e coreografias tiradas do TikTok. Por trás das faixas, está um mineiro chamado DJ Dart.
Quem é DJ Dart?
DJ Dart é o nome artístico de Davi Martins, também conhecido como Sr. Dart. O produtor musical brasileiro construiu audiência na internet com remixes de funk, MTGs, versões aceleradas, versões “slowed” e adaptações de músicas que já circulam como memes, trends ou referências nostálgicas.
Sua discografia inclui remixes de temas infantis, hits antigos, músicas de festa, memes e trends do TikTok. É música feita para circular rápido, virar coreografia e ser reutilizada em vídeos curtos. No YouTube, onde usa o nome Sr. Dart, o produtor reúne quase 5 milhões de inscritos.
@karenn__victoria os tempos mudaram mesmo 🤣#sixseven #passinhodojamal #fy #meme ♬ É NA SOLA DO SIX, É NA PALMA DO SEVEN (Passinho do Jamal) – DJ Dart
O que é “É na sola do six, é na palma do seven”?
A faixa “É na sola do six, é na palma do seven (Passinho do Jamal)” junta dois fenômenos recentes: o passinho do Jamal, ligado ao brega funk, e o “six seven”, expressão viral entre crianças e adolescentes.
O “six seven” nasceu fora do Brasil, associado à música “Doot Doot (6 7)”, do rapper americano Skrilla, e ganhou vida própria no TikTok. Como muitas trends, a frase perdeu parte do sentido original e passou a funcionar mais como gesto, piada interna e marcador geracional.
Na versão junina brasileira, DJ Dart encaixa o refrão que vem de uma música de Rio Negro & Solimões (ouça abaixo) numa base de festa e transforma o meme em coreografia. A entrada de remixes de funk nas festas juninas escolares não começou em 2026, mas ganhou escala com o TikTok.
Tradição em disputa
Como toda inovação, os remixes criaram um impasse entre os educadores. A festa junina, no ambiente escolar, costuma ser tratada como contato com tradições brasileiras: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, xote, baião, casamento caipira, quadrilha marcada e referências ao sertão. Quando a apresentação passa a incluir funk, brega e meme, parte dos professores vê perda de contexto.
Mas há outro lado. Para crianças e adolescentes, a festa não deixa de ser junina porque inclui um remix. Ela passa a dialogar com a linguagem que eles consomem todos os dias. A roupa, a fogueira, a quadrilha e o repertório tradicional continuam lá, mas dividem espaço com a cultura digital dos adolescentes hiper-conectados.
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