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Como foi a estreia da nova turnê de Luedji Luna com ‘discos gêmeos’

Como foi a estreia da nova turnê de Luedji Luna com ‘discos gêmeos’

Cantora apresentou show de 'Antes Que a Terra Acabe' e 'Um Mar Pra Cada Um'

Luedji Luna no Festival Latinidades (Foto: Tais Mallon)

No último domingo (27), Luedji Luna subiu ao palco do Festival Latinidades, em Brasília, para lançar oficialmente sua nova turnê — e, com ela, dois discos de uma só vez: “Um Mar Pra Cada Um” e “Antes Que a Terra Acabe”. Em um setlist que passeou por marés internas, rupturas doloridas e esperanças distantes, a artista entregou um show marcado por emoção crua e pelo desejo de atravessar o mundo com a força da palavra “amor”.

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“Cada show de lançamento é se jogar num precipício”, disse à Billboard Brasil após a apresentação. “Por mais que eu tenha anos fazendo isso, e já tenha circulado o Brasil e o mundo cantando, esse frescor do show novo, do disco novo, traz uma adrenalina, uma ansiedade, um nervosismo. Minha boca tava seca. Como se fosse a primeira vez. E acho que essa que é a graça de criar, né? De produzir o novo.”

Musicalmente, a estreia também foi um mergulho em águas profundas. O show é construído sobre uma base sofisticada de jazz e neosoul, sem perder o eixo ancestral que sustenta a obra de Luedji desde sempre. Dos arranjos aos vocais — ora aveludados, ora metálicos, há uma fluidez que atravessa gêneros sem fixar fronteiras. O groove está ali, mas também o transe. É música preta contemporânea em sua forma mais refinada. Em “Salty” e “Karma”, a textura é cosmopolita; em faixas como “Dentro Ali”, os tambores reaparecem como reafirmação do corpo, da terra e da origem.

A dobradinha de álbuns lançada em 2025 carrega contrastes profundos. “Um Mar Pra Cada Um” surge como gesto de afeto: “É o amor que eu entrego pra cada um. É o que eu tenho de amor pra dar pra cada amor, cada história, cada pessoa que me ouve”, explicou. Já “Antes Que a Terra Acabe” encara o colapso. “É guerra, é crise climática, é inteligência artificial querendo pegar meu emprego…(risos) tanta distopia. Eu nunca imaginei que eu ia ver tudo que eu vi, sabe? Eu sou de 87. Nem existia internet quando eu nasci. Então, eu tô vendo a transição de vários mundos que foram acabando e surgindo, dando lugar pra um novo mundo. Acho que o apocalipse vem muito nesse sentido. De compreender que algo novo está por vir. E sempre virá. E sempre será assim. A vida é assim. Um ciclo infinito.”

“Jóia”: uma amizade que se rompeu

No meio do show, Luedji foi às lágrimas. O momento aconteceu durante a canção “Jóia”, uma das mais delicadas do novo repertório, escrita para uma amiga que, segundo confessou, rompeu com ela após a composição. A letra repete como um mantra: “Pérola negra, te amo, te amo, baby, te amo, te amo”, uma referência ao eterno Luiz Melodia, que é mencionado na faixa. Mas, por trás da devoção cantada, está a dor de uma separação afetiva que a artista conta que doeu mais que a perda de um amor romântico.

“É muito doloroso porque, pra mim, amiga é melhor que macho, tipo… eu sofro mais. Tô sofrendo até hoje por ela. Amizade é uma coisa muito cara”, disse Luedji, emocionada. “Ela é ela, e eu sou eu. E, afinal, nossos mundos já não estão mais se cruzando. É isso. Acabou com a mudança.”

Mais do que um desabafo, a música virou processo de cura. “Eu vou procurando música pra isso mesmo, pra curar. Pra traduzir as coisas que eu tô sentindo. É muito terapêutico pra mim. As histórias são minhas. Eu não tô inventando nada.”

Amor como subversão

Luedji Luna estreia "Um Mar pra Cada Um" e "Antes que a Terra Acabe" (Foto: Tais Mallon)
Luedji Luna estreia “Um Mar pra Cada Um” e “Antes que a Terra Acabe” (Foto: Tais Mallon)

Entre beats, cordas e espiritualidade, a artista também falou sobre o tema central que costura os dois discos: o amor, em todas as suas camadas. Mas, especialmente, o autoamor. “Sendo negra, todo o meu trabalho desde o início foi buscando um lugar no mundo. Eu sempre me senti deslocada. É fácil se colocar em situações de violência, em relações que não são equilibradas. A gente tá aprendendo a amar e, mais do que isso, a se reconhecer como alguém digna de ser amada.”

Ela completa: “Eu nunca quis ser uma cantora que falasse de amor. Mas quando entendi como a gente ainda está engatinhando no que diz respeito ao amor próprio, ao amor familiar, ao amor entre iguais… percebi que era urgente cantar isso. Esse trabalho me ensinou a me amar, a me respeitar muito. A expressão máxima do amor no mundo é você se amar. Depois, sim, você aprende a amar os outros.”

Confira o setlist completo:

  1. Kyoto
  2. Rota
  3. Dentro Ali
  4. Pavão
  5. Gamboa
  6. Salty
  7. Karma
  8. Imã
  9. Harém
  10. Jóia
  11. Iôiô
  12. Farol da Barra
  13. Às Cegas
  14. Requinte
  15. Apocalipse
  16. Banho de Folhas (essa música, apesar de prevista, não foi executada no primeiro show)

 

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