Grammy Latino: as apostas da Billboard para álbum do ano
Lista de indicados será divulgada em 17 de setembro
Ano passado marcou o retorno dos álbuns latinos como obras coesas, em vez de coletâneas de singles de sucesso já lançados. Essa tendência só se acelerou com múltiplos álbuns conceituais que equilibram apelo comercial e vigor artístico, ampliando a janela de possibilidades para álbum do ano no Grammy Latino 2025.
Historicamente, os votantes têm favorecido performances de consagração de artistas de legado: nos 25 anos da categoria, sete artistas venceram mais de uma vez, incluindo Juan Luis Guerra (recorde de cinco vezes), Alejandro Sanz e Juanes (empatados com três cada). Mas vitórias recentes de Karol G e Rosalía demonstram abertura ao novo e ascendente ao lado do venerável.
No dia 17 de setembro serão anunciados 10 indicados — aqui estão cinco dos mais prováveis.
Rauw Alejandro, Cosa Nuestra (Sony Latin)
A estrela porto-riquenha nunca foi indicada a álbum do ano, mas seu meticulosamente elaborado Cosa Nuestra pode mudar isso. Um álbum ambicioso, com raízes em Nova York e uma linha narrativa clara, traz colaborações com Bad Bunny, Romeo Santos e Laura Pausini, entre outros. Mas a estrela é Alejandro, que infunde a música tropical com modernidade. Basta conferir a deliciosa faixa-título, uma mistura de son cubano retrô com soneos (improvisos) de R&B, ou joias dançantes como a salsa hardcore nova-iorquina “Tú Con El”. Lançado em novembro de 2024, Cosa Nuestra preparou o terreno para álbuns posteriores de resgate de raízes, incluindo DeBÍ TiRAR MáS FOToS, de Bad Bunny, enquanto Alejandro apresentou o repertório numa turnê teatral em arenas igualmente ambiciosa.
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Bad Bunny, DeBÍ TiRAR MáS FOToS (Rimas)
Bad Bunny foi indicado quatro vezes a esse prêmio (incluindo a indicação por Oasis, seu álbum com J Balvin), mas ainda não venceu. DeBÍ TiRAR MáS FOToS, porém, reúne muitos elementos que os votantes acharão convincentes: um conceito nostálgico; sua declarada paixão pela terra natal, particularmente em um momento politicamente tenso para a comunidade latina; uso criterioso de gêneros e músicas reverenciados (a abertura “NUEVAYoL”, que sampleia o clássico “Un Verano en Nueva York” de El Gran Combo de Puerto Rico, é uma releitura moderna); e o emprego de uma nova geração de jovens músicos da ilha na produção. Não prejudica o fato de Bad Bunny estar no auge de sua popularidade como artista que molda o zeitgeist global.
Gloria Estefan, Raíces (Crescent Moon Records/Sony Music Latin)
Em conversa com a Billboard em maio, Estefan descreveu seu 30º álbum — e o primeiro totalmente em espanhol em 18 anos — “como um Mi Tierra moderno”. É uma referência que fará os votantes prestarem atenção. Mi Tierra, lançado em 1993 como uma carta de amor à Cuba natal de Estefan, foi seu primeiro álbum em espanhol e liderou a parada Top Latin Albums da Billboard por 58 semanas. Raíces, no entanto, é mais que nostalgia. Suas raízes são cubanas, com a produção impecável — cortesia do marido Emilio Estefan Jr. — trazendo ontem e hoje para o primeiro plano através da voz da diva pioneira da música latina.
Fuerza Regida, 111XPANTIA (Rancho Humilde/Streetmob/Sony Latin)
111XPANTIA estreou em nº 2 na Billboard 200, a posição mais alta da história para uma dupla ou grupo latino. Embora esse feito por si só devesse garantir séria atenção no Grammy Latino, o nono álbum de estúdio do ato de música mexicana também brilha para além de suas credenciais nas paradas. Depois de flertar com EDM e urbano, o Fuerza Regida retorna com força às raízes norteñas e aos corridos, com instrumentação precisa e acenos inteligentes ao passado e ao presente. O álbum abre com “GodFather”, uma reimaginação do tema de The Godfather de Nino Rota com swag e sensibilidade mexicanos, o que diz muito sobre a evolução da banda.
Joaquina, al romper la burbuja (Universal Music Latin)
Em 2023, Joaquina tornou-se a pessoa mais jovem a vencer o Grammy Latino de melhor artista revelação. Seu álbum de estreia completo, al romper la burbuja, traz 14 canções que falam da angústia cotidiana de uma jovem de 21 anos navegando o mundo com curiosidade de olhos bem abertos. Encantadora, porém sofisticada, Joaquina conectou-se com fãs de sua idade falando com eles de igual para igual. Já fazia algum tempo que a música latina não ostentava uma jovem cantora-compositora nesse sentido mais puro da palavra; sua entrada nessa categoria seria um momento que fecha um ciclo no Grammy Latino.
Esta matéria aparece na edição de 19 de julho de 2025 da Billboard US. Leia a original aqui.








